NOTÍCIA
Debate sobre o Plano Nacional de Educação na Bett Brasil destaca a importância de financiamento e monitoramento de metas para resultados aparecerem
Por Igor Costa, estudante de jornalismo na FIAM-FAAM* | No primeiro dia da Bett Brasil 2026*, ocorreu um debate sobre o desenvolvimento das escolas para a próxima década a partir do Plano Nacional de Educação (PNE) de 2024. O Secretário Estadual de Educação do Mato Grosso do Sul, Hélio Daher, e o presidente da Undime, Luiz Miguel Garcia, destacaram a falta de financiamento como desafio para os planos traçados para a educação municipal e estadual se efetivarem.
Hélio relembrou das dificuldades enfrentadas no início de 2014, na vigência do PNE anterior. “Na hora de executar as metas, esbarrava na falta de recursos financeiros, principalmente na crise durante a pandemia, quando enfrentamos três anos difíceis.”
Já sobre a crise sanitária, o secretário enfatizou a falta de preparo para considerarem o que poderia acontecer. Contudo, quando a educação voltou a se organizar, tudo mudou. As metas ficaram claras: 80% das crianças alfabetizadas até o quinto ano de vigência, e, como objetivo principal, 100% de alfabetização infantil até o final do decênio.

Da esq. para a dir., Helio Daher, secretário do MS; Luiz Miguel Garcia, presidente da Undime nacional; Petrucio Ferreira, presidente da Undime Nordeste; e Leonardo Pascoal, secretário de Porto Alegre (foto: Yan Guedes/FIAM-FAAM)
Após algum tempo, o gestor do MS percebeu que a falta de monitoramento sobre o que era executado precisava ser solucionada.
“Sem monitorar, como vamos saber se as metas estão sendo realizadas? Sem governança, meta nacional vira esforço isolado”, afirma o secretário do MS, Hélio Daher.
Com o monitoramento adequado, os objetivos claros entraram em prática: a universalização do acesso de seis a 17 anos até o terceiro ano de vigência do PNE, 95% de conclusão do ensino fundamental na idade regular e 90% de conclusão do ensino médio, também na idade regular.
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Todavia, para alcançar esses números, o PNE produziu uma leitura territorial, pensando em fronteiras, povos indígenas, juventudes, municípios pequenos e desigualdade regionais. Por que, por exemplo, povoados pequenos em MS, sofrem com a demora no envio de ferramentas de trabalho, energia, comida até as salas de aula? “Precisamos pensar em formas de produzir estruturas adequadas a cada região ter uma educação digna.”
O Mato Grosso do Sul, ainda que seja o segundo estado no Brasil com mais crianças alfabetizadas, enfrenta grandes questões para a estatística citada acima se tornar realidade. Para alguns recursos chegarem em pequenas ilhas, pode demorar até 12h de barco.
“No Mato Grosso do Sul, muitas crianças nascem e crescem até certo ponto falando espanhol, ou guarani, e a língua portuguesa acaba se tornando a terceira ou quarta língua dessas crianças. Se tornando também um desafio para educação”, reflete Hélio Daher sobre o contexto sociocultural do estado.
“O objetivo é que a educação atinja a qualidade esperada, nisso, o plano precisa ser para todos”, completa.
Para o secretário, no país, a intenção é buscar uma estrutura que garanta o acesso das crianças para encontrarem seu espaço de aprendizagem nas salas de aula.
Infelizmente, muitas crianças não vão à escola com o objetivo de aprender e socializar. Em muitos casos, podem ir para garantir uma merenda, ou mesmo não ir por falta dela. Essa não pode ser a mentalidade de uma geração que pode trazer grandes frutos para a sociedade no futuro, considera, também, o secretário.
“Hoje, o salário dos professores no Mato Grosso do Sul supera o valor pago, por exemplo, na França e Espanha, com valor inicial de R$13 mil. Valorizamos o trabalho de um professor que está cada vez mais escasso. Está diminuindo o número de docentes ao redor do Brasil”, afirma o secretário do MS. Luiz Miguel Garcia acrescenta que “se andarmos pelas escolas de MS podemos observar a grande quantidade de professores paulistas buscando seu espaço por lá”.
No debate, também foi abordada a importância de se pensar o passo seguinte dos adolescentes, no caso, após a conclusão do ensino médio. Afinal, cerca de 50% dos estudantes do ensino médio estão buscando se inserir no mercado de trabalho. São 3 milhões de matrículas anuais em qualificação profissional. “Não adianta sonhar se não garantir estrutura para que o programa chegue com qualidade na escola pública”, afirmou Daher.
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Um plano atual em MS são mais escolas em tempo integral — o que dialoga com a proposta de outros estados e do incentivo do próprio governo federal. Esse é um meio de fazer as crianças irem para além de aprender o básico, como português e matemática, aprofundando o conhecimento de arte, música, dança, atividades que enriqueçam o tempo.
Entretanto, para uma carga horária maior, é preciso um financiamento proporcional. Um orçamento que possa fornecer não apenas quantidade, mas qualidade.
“Temos de entender que cada aluno aprende de forma diferente, precisamos ter uma rede que proteja essas crianças. A escola não pode ser um lugar cuja criança vai para se alimentar. Tem de ser para estudar”, expressou Luiz Garcia. “Não tem lugar melhor para a criança estar do que uma sala de aula, conversando, aprendendo, adquirindo conhecimento. A educação faz a escola pública”, ressaltou.
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*Esta matéria foi produzida numa parceria entre a revista Educação e a FIAM-FAAM.
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