NOTÍCIA
Brasil vai na contramão da tendência registrada no Relatório de Monitoramento Global da Educação, da Unesco
O Relatório de Monitoramento Global da Educação (Relatório GEM) de 2026, da Unesco, divulgado em Paris no dia 25 de março, apontou que, no mundo, o número de crianças e jovens fora da escola aumentou pelo sétimo ano consecutivo, alcançando 273 milhões, impulsionado pelo crescimento populacional, por crises e pela redução de orçamentos.
O progresso na permanência de crianças na escola desacelerou em quase todas as regiões desde 2015, com uma desaceleração acentuada na África Subsaariana, sobretudo em razão do crescimento populacional. Diversas crises — incluindo conflitos diversos — também comprometeram os avanços. Mais de uma em cada seis crianças vive em áreas afetadas por conflitos, representando milhões a mais fora da escola, além daqueles identificados pelas estatísticas.
Khaled El-Enany, diretor-geral da UNESCO, afirmou que “ o relatório confirma uma tendência alarmante, com um número crescente, a cada ano, de jovens privados de educação em todo o mundo. No entanto, há esperança. Desde o ano 2000, as matrículas na educação primária e secundária aumentaram, em termos gerais, em 30%, e muitos países têm alcançado avanços significativos”.

Apesar das dificuldades, a cada minuto, mais de 25 crianças entram na escola (foto: pexels)
Apesar dos desafios, o Relatório GEM 2026 registra conquistas significativas na educação mundial nos últimos anos. Desde 2000, alguns países reduziram as taxas de exclusão escolar em pelo menos 80%, como Madagascar e Togo entre crianças, Marrocos e Vietnã entre adolescentes, e Geórgia e Turquia entre jovens. No mesmo período, a Costa do Marfim reduziu pela metade suas taxas de exclusão nas três faixas etárias. A cada minuto, mais de 25 crianças entram na escola.
Com 1,4 bilhão de estudantes matriculados em 2024, a quantidade mundial de matrículas aumentou em 327 milhões, ou 30%, na educação primária e secundária desde 2000. Também ocorreu um aumento de 45% na pré-escola e de 161% na educação pós-secundária. Isso equivale a mais de 25 crianças que obtêm acesso à escola a cada minuto.
Por exemplo, a taxa de matrícula na educação primária da Etiópia aumentou de 18%, em 1974, para 84%, em 2024, e a expansão do acesso ao ensino superior na China cresceu em um ritmo sem precedentes, passando de 7%, em 1999, para mais de 60%, em 2024.
Em grande medida, as disparidades de gênero na educação primária e secundária foram reduzidas em média. No Nepal, por exemplo, as meninas alcançaram rapidamente os meninos, e, em algumas regiões, os superaram, graças a reformas sustentadas em favor da igualdade de gênero.
O relatório também destaca um compromisso mundial crescente com a inclusão. Ao mapear políticas desde o ano 2000, observa-se que a proporção de países com leis sobre educação inclusiva aumentou de 1% para 24%, enquanto aqueles que preveem, em sua legislação, a educação de crianças com deficiência em ambientes inclusivos passou de 17% para 29%.
“O progresso não é uniforme, pois frequentemente se ignora o contexto. As metas nacionais devem ser ambiciosas, mas também fundamentadas no que é efetivamente alcançável. As metas globais devem resultar da soma desses compromissos, não o contrário”, afirmou Manos Antoninis, diretor do Relatório GEM da UNESCO.
O Censo Escolar 2025, divulgado em fevereiro pelo Inep/MEC, apontou avanços na educação básica. Um deles foi o crescimento de 10,7 pontos percentuais nas matrículas presenciais em tempo integral no período de 2021 a 2025, passando de 15,1% para 25,8%.
Outra boa notícia foi a redução da taxa de distorção idade-série na rede pública. O atraso escolar caiu 4,3 p.p. e 10,3 p.p., respectivamente, na comparação de 2021 com 2025. No ensino fundamental, a distorção passou de 15,6% para 11,3% e no ensino médio houve uma queda de 27,9% para 17,6% durante o mesmo período.
Houve, entretanto, redução no número de matrículas. Em 2025, foram 46 milhões de matrículas nas 178,8 mil escolas de educação básica. Entre os anos de 2024 e 2025, a rede pública teve uma redução de 2,1%, enquanto a rede privada reduziu 2,9%.
A redução é, em parte, consequência da diminuição da população na faixa etária educacional. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE, mostrou que os últimos anos apresentaram tendências de queda da população de 0 a 4 anos e de 15 a 17 anos, grupos alvo da educação básica.
Também impacta na redução do número de matrículas o atendimento educacional à população em idade escolar, que tem crescido nos últimos cinco anos. Em 2024, o atendimento para crianças de 0 a 3 anos foi de 39,7%. Já para as crianças e adolescentes em fase de escolarização obrigatória, de 4 a 17 anos, o atendimento foi de 97,2%.
Entre 2021 e 2024, as matrículas em creche cresceram 22,5%, com estabilização em 2025 (crescimento de 1% na rede pública e queda de 2,5% na rede privada). Importante ressaltar que a população de 0 a 3 anos recuou 8,4% entre 2022 e 2025.
Acesse o Relatório Gem na íntegra, em inglês, e os dados estatísticos do Brasil contidos no Censo Escolar 2025.