NOTÍCIA
Especialista em ensino bilíngue explica que o aprendizado de um segundo idioma desde cedo fortalece funções executivas, memória e flexibilidade cognitiva
O avanço das pesquisas em neurociência tem reforçado um ponto cada vez mais relevante para gestores educacionais: aprender um segundo idioma na infância, além de uma habilidade comunicativa, estimula diretamente o desenvolvimento cerebral. Hoje, escolas buscam diferenciação pedagógica e resultados de longo prazo, e o bilinguismo se consolida como uma estratégia consistente, com impactos comprovados no aprendizado e na formação integral dos alunos.
Segundo a Grand View Research, o setor de educação básica no Brasil deve alcançar US$ 103,7 bilhões até 2030. Já levantamento da Associação Brasileira de Educação Bilíngue (Abebi) aponta que as escolas bilíngues representam cerca de 10% da rede privada, com expectativa de crescimento acelerado nos próximos anos.
Para mantenedores e diretores, o avanço do bilinguismo está diretamente ligado à busca por práticas mais alinhadas à ciência da aprendizagem. “A neurociência mostra que o cérebro infantil apresenta alta plasticidade, especialmente nos primeiros anos de vida, o que torna esse período particularmente sensível à aquisição de novos idiomas. O contato frequente com uma segunda língua amplia repertório e fortalece conexões neurais associadas a habilidades cognitivas essenciais”, explica Vanessa Codecco, head pedagógica do Twice Bilingual, sistema de ensino bilíngue há 18 anos no mercado.
Entre os principais benefícios estão o desenvolvimento das funções executivas, como atenção, controle inibitório e memória de trabalho, competências fundamentais para o desempenho acadêmico. Crianças bilíngues tendem a apresentar maior flexibilidade cognitiva, com mais facilidade para alternar tarefas, resolver problemas e lidar com situações novas.
“A aprendizagem de dois idiomas exige que o cérebro gerencie informações constantemente, selecionando o idioma adequado e inibindo interferências. Esse exercício fortalece áreas ligadas à tomada de decisão, foco e adaptação”, complementa Vanessa.
Os ganhos, no entanto, estão diretamente relacionados à forma como o bilinguismo é implementado. Modelos fragmentados, em que o inglês aparece como disciplina isolada, tendem a gerar menos impacto. Por outro lado, quando o idioma é incorporado ao ensino de conteúdos curriculares, o ganho é duplo.
Na prática, isso significa que o aluno aprende conceitos de áreas como matemática, ciências ou história em português e revisita esses mesmos conteúdos em inglês, ampliando a compreensão, consolidando o conhecimento e ativando diferentes áreas do cérebro no processo. O idioma deixa de ser um fim e passa a ser um meio para aprender mais e melhor.

Aprender um segundo idioma na infância estimula diretamente o desenvolvimento cerebral (Foto: divulgação)
É nesse cenário que o Twice Ensino Bilíngue atua como parceiro estratégico das escolas. A proposta é totalmente alinhada à BNCC e integrada ao currículo da escola, garantindo que o desenvolvimento do inglês aconteça em paralelo ao avanço acadêmico dos alunos, sem sobreposição ou perda de conteúdo. Além do material didático, o modelo inclui formação continuada de professores e acompanhamento pedagógico próximo, apoiando gestores na implementação de um bilinguismo consistente e aplicável à rotina escolar. O foco está em transformar o idioma em ferramenta de aprendizagem, e não em um elemento à parte da experiência do aluno.
Na prática, escolas que adotam esse modelo já observam resultados. A Creative Learning Center, de Ponta Grossa/PR, que utiliza o sistema do Twice há 2 anos, estruturou seu programa com foco na integração entre língua e conteúdo. A proposta promove o desenvolvimento linguístico ao mesmo tempo em que estimula habilidades cognitivas, como autonomia, organização do pensamento e resolução de problemas.
“Ao alinhar ciência, prática pedagógica e gestão, o bilinguismo passa a ocupar um papel estratégico na educação. Pensamos em mais do que preparar alunos para um mundo globalizado, pensamos na forma de contribuir, de modo consistente, a potencialização do desenvolvimento cognitivo e das competências essenciais ao longo de toda a vida escolar”, conclui Codecco.