NOTÍCIA
Num cenário nacional em que o adoecimento mental de professores(as) e gestores(as) cresce silenciosamente, município se destaca como um exemplo de ação concreta e visionária ao lançar o Programa Liderança Amorosa
Por Irene Reis* | Quando uma Secretaria de Educação age de forma mais rápida que mantenedoras de escolas privadas e que o corporativo… isso existe? Sim, e pode ser visto e aprendido com a Secretaria de Educação de Atibaia (SP), que acaba de implantar um programa inédito para atender à NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1 do Ministério do Trabalho, que inclui os riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais) e cuidar da saúde mental de seus funcionários.
A gestão da secretária Denise Barbosa lança, em parceria com o Grupo Reinventando a Educação, o Programa Liderança Amorosa, voltado à saúde mental e à segurança emocional dos funcionários da área da educação. A iniciativa conta com uma equipe multidisciplinar composta exclusivamente por educadores(as) e pesquisadores(as) conhecedores das práticas da educação básica. Possivelmente, é o primeiro do Brasil a integrar inteligência artificial na prevenção de riscos psicossociais no ambiente escolar da rede pública e atender às demandas da NR-1.
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A proposta terá duração de dois anos e envolverá diagnósticos contínuos, formação de lideranças, escuta qualificada e desenvolvimento de soluções personalizadas, com apoio de inteligência artificial para identificar e tratar os principais fatores de adoecimento emocional no ambiente educacional.
O diferencial deste programa está na equipe. A assessoria técnica é uma das únicas no Brasil que reúne profissionais de diferentes áreas — psicologia, engenharia de segurança do trabalho, neurociência e comportamento — todos com um ponto em comum: são também professores, com vivência real na educação básica, desde a educação infantil até o ensino médio, além de experiência consolidada em educação corporativa.
Da esq. para a dir.: Lailson Lima, Irene Reis e Denise Barbosa durante formação em Atibaia (Foto: divulgação)
“Essa é a grande força do projeto: todos os profissionais envolvidos sabem o que é estar dentro de uma sala de aula. Sabem o que significa liderar uma equipe escolar. Isso nos permite construir um plano de ação com mais empatia, precisão e aplicabilidade”, afirma Lailson Lima, engenheiro de segurança do trabalho e vice-presidente do Reinventando a Educação, responsável técnico pela construção e alinhamento do projeto junto à Secretaria.
Segundo ele, o desafio não é apenas cumprir uma norma legal, mas, sim, garantir que o ambiente de trabalho nas escolas seja seguro emocionalmente, produtivo e humanizado.
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“A saúde mental deixou de ser um luxo e passou a ser uma questão de responsabilidade institucional. Não basta falar de valorização, é preciso estruturar ações efetivas de cuidado com quem educa”, defende Lailson Lima.
A secretária de Educação de Atibaia, Denise Barbosa, reforça o compromisso da rede municipal com o bem-estar dos seus funcionários: “Não há como pensar em qualidade educacional sem olhar com seriedade para as condições de trabalho dos profissionais. Este programa é um marco na gestão pública e um investimento direto em gente — no presente e no futuro da nossa educação”.
*Irene Reis é especialista em neurociência e comportamento pela PUC, tem MBA em gestão escolar pela USP, é mestra em ciências da educação, doutoranda em saúde mental no desenvolvimento profissional e coordenadora da Academia de Líderes, da revista Educação.
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