Diretor da EMEF Profa. Maria Aparecida Rodrigues Cintra, SP, mestre em educação. Professor do 'Uma jornada pela diáspora africana' (prêmio Educação em Direitos Humanos, SMDHC - SP) e professor de pedagogia do Instituto Vera Cruz.
Publicado em 06/10/2026
Cabe-nos, sobretudo, garantir que as juventudes protagonizem — e não apenas gerenciem — a construção do futuro
A educação como bem comum constitui uma das bases da soberania de um país. Não se trata apenas de decidir que país queremos, mas de garantir às novas gerações condições para pensar e construir o próprio futuro científica, tecnológica e culturalmente, participando de sua construção e não apenas administrando aquilo que lhes é oferecido.
Essa capacidade de decidir não nasce do acaso, mas do que conseguimos produzir e sustentar de conhecimento, formação, escolhas e respostas aos nossos próprios desafios. No Brasil, essa potência está em nossa diversidade. Reconhecer nossa pluralidade não nos fragmenta, mas amplia nossa capacidade de criar, produzir saberes e imaginar outros futuros.
Nenhuma nação é soberana enquanto parte de seu povo é ensinado a se calar sobre quem é ou a aceitar que outros decidam por ele. Por isso, a educação brasileira não pode ser reduzida a um serviço. Garantir seu caráter público exige qualidade, investimento e compromisso, pois uma escola sucateada, com currículo empobrecido e profissionais exaustos não sustenta um projeto autônomo de país.
Tampouco se pode confundir qualidade com aquilo que as métricas conseguem medir: formar exige ampliar repertórios e garantir experiências com as ciências, as artes, as culturas e a diversidade do conhecimento humano.
Essa é uma das responsabilidades de quem governa, a de ter coragem para interromper caminhos que fragilizam o público e reatar fios rompidos. Uma nação soberana não renuncia à educação como compromisso coletivo. Nas tramas da educação decide-se não apenas o futuro da escola, mas nossa capacidade, como povo, de escolher o país que queremos ser.