NOTÍCIA
Realização do Instituto Neoenergia e Obará Tech, a primeira edição do projeto acontece em Mucugê, na Chapada Diamantina
O Instituto Neoenergia, em parceria com a Obará Edutech, lançou o projeto Diáspora Tech no início de setembro. Voltado a professores da rede pública, coordenações pedagógicas, gestores escolares, equipes técnicas, profissionais de secretarias de educação e outros agentes envolvidos na implementação de práticas educacionais, o objetivo é a formação desse público em Inteligência artificial (IA) e pensamento crítico, buscando a equidade digital.
A primeira edição acontece agora em Mucugê, na Chapada Diamantina, Bahia. Com jornada formativa voltada à compreensão crítica das transformações provocadas pela IA e à construção de possibilidades de atuação no cotidiano educacional, a proposta combina aprofundamento conceitual, práticas guiadas e reflexão sobre situações reais das escolas, abordando temas como dados, vieses, ética, integridade da informação e uso responsável da tecnologia.
“A inteligência artificial não é apenas uma nova tecnologia, mas uma transformação que atravessa a forma como produzimos conhecimento, aprendemos e participamos da sociedade. Por isso, nossa proposta vai além da apresentação de ferramentas. O Diáspora Tech convida os educadores a compreender como esses sistemas são construídos, quais interesses e vieses podem influenciar seu funcionamento e como desenvolver critérios para utilizá-los de maneira ética, responsável e alinhada às realidades das comunidades escolares”, afirma Geórgia Bento, fundadora da Obará Edutech.

“Se não fizermos essa leitura crítica, tecnologias capazes de ampliar acesso e oportunidades também podem reproduzir — ou aprofundar — apagamentos e desigualdades já existentes”, afirma Geórgia Bento (Foto: divulgação)
A inteligência artificial generativa produz respostas a partir de padrões aprendidos durante seu treinamento por técnicas de machine learning, utilizando grandes conjuntos de dados. Geórgia explica que “como esses dados refletem sociedades marcadas por desigualdades e grupos historicamente sub-representados, esses padrões também podem carregar ausências, distorções e vieses”.
E a questão não está apenas nos dados. Ela reitera que esses sistemas são desenvolvidos por empresas, a partir de escolhas sobre quais informações utilizar, quais objetivos priorizar, como os modelos serão ajustados e para quais mercados e públicos serão oferecidos. “Por isso, também precisamos perguntar quem participa dessas decisões, quais interesses econômicos estão envolvidos e quais perspectivas podem acabar menos representadas. Se não fizermos essa leitura crítica, tecnologias capazes de ampliar acesso e oportunidades também podem reproduzir — ou aprofundar — apagamentos e desigualdades já existentes.”
Leia: Dados e vieses: crianças precisam de mais proteção contra a IA
A iniciativa dialoga com os desafios de implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) Computação, um complemento à Base Nacional já utilizada e que inclui competências relacionadas ao pensamento computacional, ao mundo digital e à cultura digital na educação básica. E também com as diretrizes publicadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), em 1º de setembro, com orientações para o uso da IA nas instituições de educação básica e superior, abrangendo todos os níveis, etapas e modalidades de ensino.
Renata Chagas, diretora-presidente do Instituto Neoenergia, diz que “o próprio debate conduzido pelo CNE vem destacando a necessidade de uso responsável, formação docente, proteção de dados, atenção a vieses e intencionalidade pedagógica”, acrescenta.

Primeira edição e piloto do projeto Diáspora Tech acontece em Mucugê, na Chapada Diamantina, Bahia (Foto: divulgação)
Renata conta que no piloto do projeto Diáspora Tech, iniciado em Macugê, o público prioritário são os professores dos anos finais do ensino fundamental, “por entendermos que essa é uma etapa decisiva da formação dos estudantes, cada vez mais próxima de escolhas acadêmicas, profissionais e de participação na sociedade digital. Ao mesmo tempo, estamos diante de uma transformação tecnológica de escala comparável às grandes revoluções industriais: sentimos seus efeitos enquanto ainda construímos referências, práticas e marcos para regulá-la”.
A perspectiva, diz a diretora-presidente, “não é simplesmente incentivar ou restringir o uso da IA, mas preparar educadores para compreender essas tecnologias, avaliar seus limites e possibilidades e mediar seu uso de forma crítica, ética e intencional”.
A escolha dos territórios para implementação de projetos é feita pelo Instituto Neoenergia com base em sua estratégia de interiorização, priorizando as regiões de atuação da Neoenergia. A demanda de formação como a oferecida pelo Diáspora Tech partiu do próprio corpo docente do município de Mucugê, a partir da implementação do referencial curricular sobre a BNCC Computação e foi identificada no âmbito de outro projeto do Instituto Neoenergia em Mucugê, o Pontes para Educação.
O Diáspora Tech prevê 21 horas de formação, distribuídas em sete módulos e 14 encontros, com professores do ensino fundamental II e profissionais da educação. Desde as primeiras aulas, a média de presença dos encontros tem sido de 70 participantes.
A continuidade do projeto vem sendo construída conjuntamente pela Obará Edutech e pelo Instituto Neoenergia, a partir das evidências e aprendizados deste primeiro ciclo. Gestores, redes de ensino e profissionais da educação interessados no Diáspora Tech podem procurar diretamente a Obará Edutech por seus canais institucionais para conhecer a metodologia e conversar sobre possibilidades de novas formações e parcerias.