NOTÍCIA
Ao ser utilizado como apoio pedagógico, superando ‘o achismo burocrático’, o Manual do Professor auxilia a mediar desde a vivência literária nas infâncias até a real aplicação da recomposição de aprendizagens
O Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) atua de maneira ecossistêmica. Isso porque ele não termina com a entrega das publicações. Há um grande planejamento para que as riquezas pedagógicas presentes em cada obra e material aprovados nos editais e que, posteriormente, são selecionados pelas escolas públicas, sejam difundidos no dia a dia escolar. É nesse contexto que o Manual do Professor se consolida como uma ferramenta de apoio à formação continuada, sendo a ponte entre o livro e a dinâmica viva da sala de aula, o que inclui instigar o olhar dos educadores sobre as especificidades de sua região, escola e turmas. Ouvimos quatro especialistas de grandes editoras para auxiliar a equipe escolar na utilização desse valioso recurso.
O Manual do Professor instrumentaliza o docente na tomada de decisões pedagógicas e inclusivas, diz Ana Paula Nani, da Moderna (foto: divulgação)
“Mais do que apresentar as respostas/resoluções para as atividades, o Manual do Professor oferece subsídios didáticos para o encaminhamento das atividades em sala de aula, sugestões de adaptações inclusivas, estratégias para acompanhar as aprendizagens e orientações para superar possíveis defasagens. Além disso, reúne referências para pesquisa e aprofundamento, contribuindo para a formação continuada do professor no cotidiano escolar”, explica Ana Paula Nani, editora executiva da Moderna.
Para o manual atingir esses pontos citados, Ana Paula orienta que ele deve ser utilizado de forma integrada ao planejamento, com o apoio de matrizes de planos de aula e sequências didáticas.
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Natalia Taccetti, da FTD: o manual propõe atividades diversificadas para viabilizar a recomposição em diferentes níveis de letramento (foto: divulgação)
Inserida de maneira emergencial nas políticas públicas brasileiras devido aos impactos da pandemia, a recomposição de aprendizagens é vista hoje por muitas gestões como estratégia permanente, até porque ela tem a capacidade de instrumentalizar o docente a mediar diferentes níveis de conhecimento em um mesmo ambiente.
Natalia Taccetti, gerente de conteúdo – PNLD didáticos da FTD Educação, compartilha que entre as orientações apresentadas no Manual do Professor edital PNLD 2027 EFAI da editora, e que buscam a aplicação da recomposição de aprendizagens, estão propostas de avaliação diagnóstica, sugestões de intervenções pedagógicas e encaminhamentos que auxiliam o docente a identificar diferentes níveis de desenvolvimento dos estudantes.
“O material [da editora] também oferece estratégias para a organização de atividades diversificadas, possibilitando que o professor desenvolva percursos de aprendizagem adequados às necessidades de cada turma, especialmente em contextos de recomposição de aprendizagens”, destaca Natalia Taccetti, da FTD.

A conquista é uma coleção da FTD focada nos anos iniciais e está na seleção do PNLD
Nicolau Youssef, organizador da Coleção para Aprender, da editora Órbita, grupo Multiverso das Letras, também aprovada no PNLD 2027 EFAI, analisa que “a avaliação é o eixo central do processo de aprendizagem, permitindo que sejam avaliados o aluno e o processo de ensino no qual o professor está. Nós tratamos isso quase como um princípio inegociável. Porque a recomposição de aprendizagens utiliza conceitos como o de avaliação diagnóstica formativa e avaliação final”.

Para o sucesso pedagógico, a avaliação formativa deve ser um princípio praticamente inegociável, diz Nicolau Youssef, da editora Órbita (foto: divulgação)
Nicolau detalha que a recomposição de aprendizagens leva em conta sentidos maiores do que focar apenas a nota ou comparações entre alunos. “É o sentido amplo de considerar a condição social do aluno, as condições internas da sala de aula, se mudou ou não de escola”, explica. Ou seja, é um conjunto de estratégias pedagógicas que dialoga diretamente com a educação integral.
Em todas as obras da Coleção Para Aprender, da editora Órbita, cada capítulo tem uma sessão denominada ‘Verifique o que aprendeu’, que sistematiza as aprendizagens e habilidades da BNCC inseridas no respectivo bloco com questões para os estudantes responderem.
“Dependendo das habilidades que demonstrarem mais dificuldades, aquelas com menos acertos, o professor pode propor um conjunto de atividades extras para o estudante desenvolver a partir de orientações que existem no Manual do Professor”, orienta Nicolau Youssef.

Coleção Para Aprender, da editora Órbita, faz parte da seleção de escolha do PNLD Anos Iniciais
Sobre os recursos educacionais digitais, em cada livro da Coleção Para Aprender, existem pelo menos 12 objetos digitais, alinhados às habilidades da BNCC, inclusive da BNCC Computação, e atividades baseadas em desenvolvimento de algoritmos, propostas de resolução de problemas com linguagens específicas e desenho de fluxogramas lógicos.
Por exemplo, é comum ter infográfico animado com retorno de correto ou errado. Nicolau conta que há também situações em que o aluno deve procurar em determinado link imagens que detalham a estrutura de uma célula; como também é possível simular situações difíceis de se colocar no papel.
A Moderna também participa do processo de escolha no edital para os anos iniciais. Ana Paula Nani compartilha que o Manual do Professor da editora orienta o docente no acompanhamento contínuo das aprendizagens, oferece subsídios didáticos, atividades complementares e inclusivas, estratégias de adaptação e matrizes de planejamento que apoiam o trabalho com turmas heterogêneas. Assim, o professor identifica os diferentes níveis de aprendizagem e define as intervenções adequadas para cada grupo de estudantes.

Coleção Buriti Raízes, da Moderna, está na seleção de escolha do PNLD Anos Iniciais
“Nas coleções Buriti Raízes e Pitanguá, da editora Moderna, as seções de avaliação favorecem o monitoramento das aprendizagens e contribuem para a recomposição de defasagens. Nessas coleções, destacam-se a diversidade de atividades, as sugestões de adaptação de conteúdos e as estratégias voltadas a estudantes com diferentes perfis e necessidades de aprendizagem, auxiliando o professor a conhecer o perfil da turma, promover a inclusão e identificar estudantes que necessitam de apoio específico”, diz a editora executiva.
O programa do governo federal não solicitou o Manual do Professor para o edital 2026 de Educação Infantil. Na FTD Educação, as obras seguem as diretrizes estabelecidas pelo programa e, por isso, o manual não está presente em suas obras para a infância. De maneira geral, o Manual do Professor da editora não trata a literatura como um pretexto para atividades mecânicas ou para o ensino de conteúdos isolados.

O Manual do Professor de literatura infantil da FTD também foca na coordenação pedagógica, conta Isabel Lopes Coelho (foto: divulgação)
Isabel Lopes Coelho, head da BU de literatura infantil e juvenil na FTD Educação, conta que a proposta é partir da experiência literária vivida pelas crianças e oferecer caminhos de mediação que dialoguem com os Campos de Experiência da BNCC.
“Outro diferencial é que o material oferece orientações não apenas ao professor, mas também à coordenação pedagógica, favorecendo o planejamento coletivo e a integração da literatura ao projeto pedagógico da instituição. Dessa forma, a leitura deixa de ser uma atividade isolada e passa a dialogar com o cotidiano do estudante, com as interações, com as atividades e com os demais Campos de Experiência”, destaca Isabel.
Ela completa que o objetivo final é “que a obra literária seja vivenciada em sua potência artística e formativa, promovendo experiências de linguagem, sensibilidade, imaginação, movimento e convivência, em consonância com os princípios da BNCC”.
Para esse mesmo edital PNLD 2026 Educação Infantil, as obras literárias da Moderna também não foram acompanhadas de um Manual do Professor impresso. Nesse caso, a mediação da leitura ocorre de forma flexível a partir das próprias características da educação infantil e dos áudios nos livros digitais, ampliando as possibilidades de interação com a história.
“Na obra Agora!, de Ilan Brenman, por exemplo, a versão digital oferece, em botões distintos, a narração da história e a audiodescrição das cenas. Esses recursos permitem que o professor organize experiências de leitura mais abertas, incentivando as crianças a se movimentarem, comentarem, explorarem as imagens, expressarem suas percepções e utilizarem a imaginação de forma espontânea, valorizando o protagonismo infantil e a participação ativa durante a leitura”, instiga a editora executiva Ana Paula Nani.
*Este conteúdo é um oferecimento FTD Educação, Moderna e Multiverso das Letras
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