NOTÍCIA

Formação docente

Autor

Redação revista Educação

Publicado em 08/01/2026

O impacto da IA nas profissões

Professor do UniCuritiba explica como a automação vai moldar as novas áreas e o que os jovens devem esperar das carreiras profissionais em 2030

Como será o futuro do mercado de trabalho em cinco anos, impactado, principalmente, pela inteligência artificial (IA)? De acordo com o Relatório sobre o Futuro do Trabalho 2025, do Fórum Econômico Mundial, a perspectiva é de que aproximadamente dois quintos (39%) das habilidades profissionais atuais sejam transformadas ou se tornem obsoletas até 2030. 

Em cinco anos, a inteligência artificial (IA) deve eliminar mais de 92 milhões de postos de emprego e reduzir entre 6% e 13% as oportunidades para jovens entre 22 e 25 anos em ocupações expostas à automação tecnológica.

—————————–

Leia também

Inteligência artificial na educação, das promessas à realidade

65% das crianças e dos adolescentes usam IA generativa para estudar, criar conteúdo e lidar com emoções

—————————–

“A inteligência artificial está redesenhando o mercado de trabalho em uma velocidade sem precedentes. Esse cenário produz um misto de desafios e de oportunidades”, destaca o professor doutor Sérgio Czajkowski Junior, docente nos cursos de graduação e pós-graduação do UniCuritiba, que integra o grupo Ânima Educação.

Consultor nas áreas de planejamento estratégico, inovação e gestão de pessoas, o professor defende que a ascensão da IA é uma realidade que já começou a redefinir carreiras em todo o mundo — e que já vem sendo usada como um diferencial nos cursos do UniCuritiba. Ele é pós-graduado em Filosofia e Sociologia Política e doutor em Administração.

Segundo ele, diversas profissões, principalmente as que envolvem tarefas repetitivas, estão entre as mais vulneráveis à automação. Em contrapartida, o levantamento do Fórum Econômico Mundial mostra que é justamente essa automação que deve gerar 170 milhões de novos postos de trabalho. 

“A questão principal não é sobre as profissões que serão extintas, é como se preparar para essa revolução que está a pleno vapor”, orienta o professor Sérgio Czajkowski.

inteligência artificial

Empresas vão precisar de profissionais com hablidades que IA não conseguirá replicar, afirma professor Sérgio Czajkowski Junior (Imagem: Shutterstock)

O papel fundamental da graduação

Diante de um panorama de automação crescente, o professor Sérgio Czajkowski Junior analisa a relevância da graduação, e a resposta é enfática: “a formação superior continua sendo fundamental, mas sua natureza e valor se transformam. Em uma era em que a IA pode executar tarefas complexas, o diploma universitário não é mais uma proteção automática, mas, sim, um diferencial estratégico quando conectado às exigências do mercado”.

Sérgio diz que as empresas vão precisar de profissionais com habilidades que a inteligência artificial não conseguirá replicar. “A graduação não oferece apenas o conhecimento técnico aprofundado; ela desenvolve o pensamento crítico, a capacidade de análise, a resolução de problemas complexos e estimula a criatividade, competências que se tornam o grande trunfo humano. A universidade prepara o indivíduo para se adaptar, aprender continuamente e inovar, qualidades indispensáveis no futuro do trabalho.”

Inteligência artificial e as profissões com baixo risco de automação

De acordo com o professor, as profissões de baixo risco são aquelas que exigem genuinamente empatia, criatividade, habilidades motoras finas complexas, adaptabilidade, inteligência emocional e julgamento ético apurado. “As atividades em que a interação humana e a capacidade de lidar com o imprevisto serão insubstituíveis”, resume.

A melhor estratégia para quem vai começar um curso superior, recomenda Sérgio, é combinar habilidades humanas, as chamadas soft skills, com competências técnicas (hard skills). “Comunicação, empatia, negociação e inteligência emocional combinadas com o domínio de ferramentas técnicas e analíticas é que vão definir os profissionais do futuro. A IA não está aqui apenas para substituir, mas para desenvolver a capacidade humana.”

—————————–

Leia também

As 5 matérias mais lidas da Educação em 2025

Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA

—————————–

Para quem está na porta da graduação, o professor dos cursos de Direito, Administração e Negócios avisa: “os profissionais do futuro terão uma necessidade contínua de reskilling (requalificação) e upskilling (atualização de habilidades). Ou seja, o aprendizado não vai terminar com a graduação, ele será um processo vitalício. Nesse universo, precisamos estar dispostos a aprender novas ferramentas e aprimorar nossas competências constantemente.”

Na avaliação do professor Sérgio, a ascensão da IA traz uma série de oportunidades empreendedoras. “Há um imenso ‘gap’ a ser preenchido entre as capacidades da IA e os aspectos insubstituíveis da interação humana. Empreendedores que conseguirem conectar esses dois mundos terão um vasto campo de atuação.”

Recomendações para jovens estudantes

Para os jovens que estão planejando suas carreiras agora, o cenário atual exige uma abordagem proativa. Entre as estratégias sugeridas pelo professor Sérgio Czajkowski Junior estão:

  1. Focar em habilidades criativas e analíticas combinadas: desenvolver a capacidade de pensar ‘fora da caixa’ sem perder o domínio sobre a análise de dados e a resolução de problemas complexos;
  2. Desenvolvimento intenso de soft skills: investir em comunicação eficaz, inteligência emocional, colaboração, liderança e adaptabilidade;
  3. Aprendizado contínuo e reskilling: estar sempre aberto e disposto a adquirir novas competências e a se requalificar para as demandas do mercado;
  4. Buscar formação em áreas emergentes: considerar cursos e especializações em Big data, IA, cibersegurança, energias renováveis, bioengenharia e outras frentes de inovação;
  5. Considerar o empreendedorismo como alternativa: desenvolver a mentalidade empreendedora, identificando lacunas e criando soluções que a tecnologia ainda não oferece.

“O futuro do trabalho na era da inteligência artificial não é um cenário apocalíptico de substituição em massa, mas, sim, um período de profunda transformação. O segredo não é temer a IA, mas entendê-la, adaptá-la e utilizá-la a seu favor. As oportunidades surgirão para aqueles que estiverem dispostos a aprender, a inovar e a abraçar a mudança”, finaliza o especialista.

——

Revista Educação: referência há 30 anos em reportagens jornalísticas e artigos exclusivos para profissionais da educação básica

——

Escute nosso podcast


Leia Formação docente

Cursos sobre inclusão, currículo antirracista, IA na educação e outros...

+ Mais Informações

O impacto da IA nas profissões

+ Mais Informações

Decolonialidade na arte, projetos culturais e estéticas contemporâneas...

+ Mais Informações
Unesco steam

Cooperação com a Unesco busca impulsionar o ensino nas áreas de STEAM...

+ Mais Informações

Mapa do Site