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NOTÍCIA

Gestão

Convivência e troca de experiências ajudam a formar jovens para os desafios do futuro

Reitor do Instituto Mauá, José Carlos de Souza Jr. defende que quanto mais os estudantes de diferentes áreas interagirem, mais bem preparados estarão para encarar desafios como as mudanças climáticas

Publicado em 12/06/2024

por Juliana Fontoura

A formação de jovens preparados para a complexidade do futuro é um dos grandes debates da educação — da básica ao ensino superior. Além das novas exigências do mercado de trabalho, que espera outro tipo de profissional, com competências socioemocionais como flexibilidade, organização e empatia, há também um leque de novos desafios para os quais esses profissionais irão buscar soluções, que vão das questões de mobilidade urbana à fome e às mudanças climáticas.

Para José Carlos de Souza Júnior, reitor do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), localizado em São Paulo, lidar com essa complexidade exigirá o trabalho conjunto de profissionais de diferentes áreas, com habilidade de ouvir o outro para criar soluções que envolvam diferentes saberes. E, para isso, uma formação mais holística faz a diferença.

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Escolas Mais Admiradas

O reitor do Instituto Mauá de Tecnologia estará em 19 de junho no evento da revista Educação, Escolas Mais Admiradas, no painel Formar jovens adaptados às inconstâncias do futuro. Será na Fecap, cidade de SP. Clique para mais informações e garantir o seu ingresso.

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“Além do profissional, você também tem de se preocupar com o cidadão e com o indivíduo”, explica o reitor. “Assim, você garante não só que profissionalmente ou tecnicamente ele [aluno] tenha esse recurso para poder evoluir, como também desenvolva autorreflexão, ética e questões ligadas a relacionamento, trabalho em grupo. Isso é fundamental nesses desafios que o futuro nos traz.”

Mas como fazer isso? Souza defende a convivência e a troca de experiências como passos importantes nesse caminho. “Na nossa formação [no IMT], a gente defende que os cursos interajam muito”, explica. 

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No IMT, ele conta, há 16 cursos que podem ser agrupados em três grandes áreas: tecnologia (com nove engenharias e três cursos de Tecnologia da Informação), negócios (administração e relações internacionais) e experiência do usuário/criatividade da solução (design e arquitetura e urbanismo). 

Cada curso tem seu core, ou seja, uma base que não vai mudar; contudo, entre 15% e 20% da carga horária corresponde a atividades em que os alunos de diferentes cursos e períodos trabalham juntos. “Tenho atividade em que posso ter uma pessoa mais jovem, do 1º ano, trabalhando com um colega do último ano. Tem uma troca de experiência muito bacana”, explica o reitor.

futuro

Reitor José Carlos: além do profissional, preocupação também com o cidadão e o indivíduo (Foto: divulgação)

O trabalho é coletivo

Além da interação, essa possibilidade de escolha de atividades para completar a carga horária permite que cada aluno crie sua própria trajetória e desenvolva as competências socioemocionais que mais precisa. Por exemplo: um aluno que apresente dificuldade de dividir suas ideias, que seja mais introvertido, pode fazer atividade de teatro. 

Souza conta que há também atividades para trabalhar a capacidade de concentração e foco — que se tornam especialmente importantes para uma geração que está acostumada a fazer muitas coisas ao mesmo tempo — e como se comportar em entrevistas de emprego.  

O Instituto Mauá também incentiva que os trabalhos de conclusão de curso sejam feitos por estudantes de diferentes áreas — ou seja, o mesmo trabalho, mas realizado por colegas de diferentes formações. “Assim, na hora que você está resolvendo o problema, está complementando visões.”

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Outro aspecto importante da preocupação com o desenvolvimento de competências socioemocionais está no entendimento de que a escolha de um determinado curso não necessariamente irá determinar a profissão do jovem. É possível que um jovem estude engenharia mecânica, mas, com o tempo, veja sua trajetória profissional ir para outros caminhos. 

“Trata-se de municiar esses jovens com ferramentas que permitam que eles consigam ir se adaptando e procurando se desenvolver de maneira contínua”, completa o reitor.

Implementação

Um grande desafio para oferecer essa formação, de acordo com o reitor, é sua operacionalização. Algo muito importante, por exemplo, é não separar os estudantes em diferentes prédios. “Se os alunos ficarem em prédios separados, apartados, perde-se a maior riqueza que é justamente colocá-los trabalhando de maneira complementar” afirma. 

Além disso, é preciso ter docentes preparados para lidar com esse tipo de filosofia. “O professor que vai entrar em sala de aula para esse tipo de atividade tem que ter uma cabeça muito mais aberta”, analisa.

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Autor

Juliana Fontoura


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