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Pisa: Brasil continua abaixo da média

O novo relatório do Programa Internacional de Avaliação do Estudante (Pisa) foi divulgado hoje, 5, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Comparando o Pisa 2022 com os dados de 2018, o Brasil caiu cinco pontos em matemática (de 384 para 379), três […]

Publicado em 05/12/2023

por Redação revista Educação

O novo relatório do Programa Internacional de Avaliação do Estudante (Pisa) foi divulgado hoje, 5, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Comparando o Pisa 2022 com os dados de 2018, o Brasil caiu cinco pontos em matemática (de 384 para 379), três em leitura (de 413 para 410) e um em ciência (de 404 para 403), ficando na 64ª, 52ª e 61ª posição entre as 81 nações avaliadas.

Com isso, o Brasil está atrás de países latino-americanos como Chile, Uruguai, México e Costa Rica e continua no grupo abaixo da média da OCDE. Vale destacar que o país avançou no ranking internacional, especialmente em relação à leitura e à ciência. 


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Outro destaque foi o crescimento significativo do sentimento de solidão e ansiedade em crianças, adolescentes e jovens. Um dos países com maiores ocorrências nesse índice é o Brasil, ficando na 68ª posição.

O documento relata que “os resultados médios de 2022 foram praticamente os mesmos de 2018 em matemática, leitura e ciências. Os resultados do Pisa têm-se mantido notavelmente estáveis ​​durante um longo período: depois de 2009, nas três disciplinas, apenas foram observadas flutuações pequenas e, em sua maioria, não significativas”.

O Pisa avalia os conhecimentos dos estudantes de 15 anos de idade nas três disciplinas. No total, 690 mil estudantes de 81 países fizeram os testes. No Brasil, 10.798 alunos de 599 escolas passaram pela avaliação. Na edição de 2022, divulgada hoje, o foco foi em matemática. 

Realizado a cada três anos, por conta da pandemia, a avaliação do Pisa 2021 passou para 2022 (dados divulgados hoje) e o Pisa 2024 será realizado em 2025.

Crescimento na aprendizagem

“O Brasil foi o país onde as escolas passaram mais tempo fechadas em razão da covid-19, contabilizando 279 dias. Mesmo nesse cenário, o país apresentou notas bem próximas do que foi registrado no pré-pandemia, o que pode ser atribuído ao empenho de determinados professores e da comunidade escolar. No momento, o desafio é confirmar a tendência de crescimento na aprendizagem e, como alternativa para essa proposta, está a implementação do Sistema Nacional de Educação, que integrará as políticas e ações educacionais da União, Estados, Municípios e Distrito Federal”, diz a superintendente do Itaú Social, Patricia Mota Guedes.

As crianças que têm experiências em creches e pré-escolas apresentam trajetórias escolares mais consistentes. Mesmo com esse destaque, foi observado que alunos de famílias em situação de vulnerabilidade social têm três vezes mais riscos de serem reprovados do que alunos de maior nível socioeconômico.

A maioria dos estudantes (72%) disseram que os professores dão ajuda extra quando precisam. A média da OCDE é de 70% de estudantes reportando esse tipo de apoio extra.

Matemática 

De acordo com o levantamento, 27% dos estudantes brasileiros alcançaram o nível 2 de proficiência em matemática, considerado o patamar mínimo de aprendizado, enquanto que a média dos países da OCDE na disciplina é 69%.  

Apenas 1% dos estudantes no país conseguiram os níveis 5 ou 6, considerados os mais altos, quando os alunos resolvem problemas complexos, comparam e avaliam estratégias. A média da OCDE é 9%.   

Dos 81 países e economias participantes do Pisa 2022, somente em 16 mais de 10% dos alunos atingiram o nível 5 ou 6. 

Leitura e ciências

Quanto à leitura, metade dos estudantes no Brasil obtiveram o nível 2 ou mais. Apesar de melhor desempenho, o percentual ainda fica abaixo da média da OCDE, 74%. Nos patamares 5 e 6, o percentual foi de apenas 2%. 

Em ciências, cerca de 45% dos alunos chegaram ao nível 2, contra 76% da média da OCDE. Os estudantes com melhor desempenho somaram apenas 1%. 

Pisa 2022
Foto: shutterstock

Mundo 

Em comparação ao Pisa de 2018, o desempenho médio nos países da OCDE caiu 10 pontos em leitura e quase 15 pontos em matemática. Em ciências, a média ficou estável. Conforme o relatório, estima-se que aproximadamente 25% dos jovens de 15 anos nos países membros da OCDE, ou seja 16 milhões, não atingiram o nível 2, ou seja, têm dificuldade em fazer cálculos com algoritmos básicos ou interpretar textos simples. 

Em nações como a Alemanha, Islândia, os Países Baixos, a Noruega e Polônia, as notas em matemática caíram 25 pontos ou mais entre 2018 e 2022.  

“Embora seja evidente que alguns países e economias têm desempenho muito bom na educação, o quadro geral é mais preocupante. Em mais de duas décadas de testes globais do Pisa, a pontuação média não mudou drasticamente entre avaliações consecutivas. Mas este ciclo viu uma queda sem precedentes no desempenho”, diz o relatório. 

De acordo com o levantamento, a pandemia de covid-19 causou impacto na educação dos jovens nesse período — com fechamento de escolas e adoção de aulas online — porém não pode ser apontada como única causa para o desempenho inferior nos países.  

O relatório diz não ter identificado “diferença clara” nas notas de 2022 em razão do fechamento de escolas por mais ou menos de três meses na pandemia. “A pandemia da covid-19 parece um fator óbvio que pode ter impactado os resultados nesse período. Na leitura, por exemplo, muitos países como a Finlândia, Islândia, os Países Baixos, a República Eslovaca e Suécia registraram estudantes com notas mais baixas durante algum tempo – em alguns casos durante uma década ou mais. As trajetórias educacionais foram bem negativas antes da pandemia chegar. Isso indica que as questões de longo prazo nos sistemas educativos também são culpadas pela queda no desempenho. Não se trata apenas de covid”.

Singapura liderou em matemática (575 pontos), em leitura (543 pontos) e em ciências (561 pontos), o que equivale que os estudantes têm de três a cinco anos de escolaridade a mais em comparação aos demais alunos dos países com a média da OCDE.  

Em apenas quatro locais, houve melhora nas três disciplinas entre as avaliações de 2018 e 2022: Brunei Darussalam, Camboja, República Dominicana e Taipé chinês.

*Com informações da Agência Brasil.



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