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Políticas Públicas

O papel da educação na transição da população de maioria jovem para a idosa

O Brasil tem uma população mais jovem do que idosa, sendo assim, hoje, o momento é de investir nessa maioria para que o país cresça no futuro. Nisso, políticas públicas para a juventude voltadas para a formação e impulsionamento da criatividade são fundamentais, como estudo […]

Publicado em 04/10/2023

por Redação revista Educação

O Brasil tem uma população mais jovem do que idosa, sendo assim, hoje, o momento é de investir nessa maioria para que o país cresça no futuro. Nisso, políticas públicas para a juventude voltadas para a formação e impulsionamento da criatividade são fundamentais, como estudo e qualificação para o mercado de trabalho. 


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“Ainda temos uma vantagem de contar com a inteligência desses jovens que serão formados e que serão os futuros donos do Brasil, eles que ocuparão nossos cargos. Essa transição não poderá ser pensada a partir apenas da educação. Tem que ser sistêmica. Também não podemos esquecer que 88,8% dos jovens estão na escola pública”, apontou Ana Inoue, superintendente do Itaú Educação e Trabalho (IET).

Educação como estratégia na transição demográfica

Ana Inoue trouxe mais dados — vale lembrar que o IET tem pesquisas sobre o tema e outros voltados à juventude —, em 2012 o Brasil era composto por 49,9% de jovens e 11,3% de idosos, já em 2022 caiu para 43,3% e idosos chegou em 15,1%.

Ana finalizou falando do que o país deixou de fazer: “temos alunos jovens e adultos fora da escola e que têm a vida pela frente. Eles precisam ser reinseridos”.

A superintendente esteve hoje, 4, em SP, no seminário Educação na era das transições, organizado pelo Instituto Unibanco, junto a três especialistas que falaram no painel Transição demográfica: bônus educacional?. Confira as considerações dos outros participantes.

Dos bebês à população acima de 89 anos

Nesse cenário, ações na educação para o presente e futuro são fundamentais, entre elas, que as creches funcionem no contraturno e também nas férias, principalmente por conta das famílias pobres; que os jovens possam ter educação em tempo integral e ensino médio técnico; idosos saudáveis carecem de capacitação continuada; já para a população de 89 anos em diante, valorizar os cuidadores por meio da formação. Além disso, escolas de medicina devem incluir geriatria e gerontologia, visando reduzir preconceito sobre o envelhecimento. Todos esses posicionamentos foram colocados por Ana Amélia Camarano, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e PhD em estudos populacionais.

Ana Amélia completou orientando para um novo contrato social, segundo Edgar Morin, que considere as especificidades da população vulnerável (idosos, negros, moradores de comunidades). 

transição demográfica
Painel ‘Transição demográfica: bônus educacional?’. Da esq. para a dir.: Ana Inoue, Eduardo Rios, Ana Amélia e Michael França
Foto: divulgação/ Instituto Unibanco

Famílias com menos filhos

Há décadas as famílias estão tendo menos filhos no Brasil e mundo. “É ingênuo achar que voltar a crescer a população será a solução. A queda de fecundidade também tem benefícios, como investimento na educação entre as famílias: escolarização do bebê passa a ser planejada”, defendeu o professor Eduardo Rios, presidente do IBGE (2021-2022).

Também participou do painel Michael França, coordenador do Núcleo de Estudos Raciais do Insper e doutor em teoria econômica. Michael destacou que o Brasil precisa dar acesso a direitos reprodutivos para sua camada mais pobre, uma vez que enquanto as mulheres ricas têm filhos mais tarde e/ou menos filhos, com as mais pobres ocorre o inverso. 

Já sobre as mulheres mais escolarizadas, entre os pontos principais está o dilema de escolher entre maternidade e carreira, impactando, inclusive, a saúde mental. “Pensar a educação ao longo do tempo é pensar também em políticas para as mulheres mais escolarizadas”, alertou Michael França. 

A pobreza também pode ser entendida como um processo de exclusão. Nesse sentido, o progresso tecnológico focado na automação não pode impulsionar ainda mais esse atual cenário desastroso — entre 45% e 60% da mão de obra poderão ser automatizadas no futuro, segundo a pesquisa de 2022 Desemprego high-tech. 

“A rápida automação pede que repensemos o nosso sistema educacional para o indivíduo ter habilidade de se reciclar”, disse o coordenador do Insper. Sobre aprendizagem na educação básica, diferentes indicadores oficias do país constatam diferenças entre estudantes negros e negras. “Estamos falhando nas políticas públicas de inclusão. Precisamos repensá-las.”

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Redação revista Educação


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