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Médica e fonoaudióloga explicam como personalizar a aprendizagem

Dentro de uma sala de aula, há alunos com diferentes formas de aprender. Alguns podem ter mais facilidade com recursos visuais, outros podem ser mais auditivos. Cada um conta com um conjunto próprio de habilidades e experiências, além, é claro, de diferentes dificuldades.  Para acolher […]

Publicado em 11/05/2023

por Juliana Fontoura

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Dentro de uma sala de aula, há alunos com diferentes formas de aprender. Alguns podem ter mais facilidade com recursos visuais, outros podem ser mais auditivos. Cada um conta com um conjunto próprio de habilidades e experiências, além, é claro, de diferentes dificuldades. 

Para acolher tantas diversidades, a personalização da aprendizagem é um bom caminho, defendem as especialistas Mariana Genesine, médica otorrinolaringologista especializada em foniatria, e Cristiane Baqueiro, fonoaudióloga clínica. Elas abordarão o tema no evento Bett Brasil, em São Paulo, em 11 de maio. Com o título Como garantir a personalização da aprendizagem para respeitar a diversidade, o painel acontecerá às 11h.


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Olhar para as individualidades e explorar as potencialidades de cada um torna-se ainda mais importante para contemplar, por exemplo, alunos com deficiência ou com transtornos como o do espectro autista (TEA) e do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), além de tantas diferentes necessidades de aprendizagem. 

Personalização

Segundo a fonoaudióloga Cristiane Baqueiro, falar em personalizar o ensino não significa ter um método para cada aluno — o que seria inviável. “É possível traçar estratégias que contemplem essas diversidades de uma sala de aula, mas que não me obriguem, como educador, a pensar em 35 estratégias diferentes”, afirma. 

Ela exemplifica uma possibilidade que contempla as individualidades de cada aluno: numa atividade de literatura, pode-se montar uma peça de teatro em que cada estudante terá uma responsabilidade — pesquisa, redação, construção do cenário. Nessa atividade coletiva, passa-se um conteúdo em que cada um pode explorar sua potencialidade, contribuir com o que tem de melhor e aprender com o outro. 

Ao adotar estratégias de personalização do ensino e olhar para as individualidades, é possível beneficiar a turma toda, segundo a médica otorrinolaringologista Mariana Genesine, que se especializou em foniatria — subespecialidade responsável pela avaliação e diagnóstico médico das alterações e atrasos de fala, linguagem, comunicação e aprendizado. “Cada cérebro funciona de um jeito. Se a gente pensar na personalização do ensino, é simplesmente focar nessa individualidade de cada cérebro”, explica. 

Mariana Genesine é especialista em foniatria (foto: arquivo)

A especialista destaca que mesmo dentro de um mesmo diagnóstico há muitas particularidades. “Mesmo a gente pensando num transtorno como o do espectro autista, a gente não consegue colocar todos os autistas na mesma caixinha de aprendizado”, conta Mariana.

“No TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), vai ter o que vai ser mais hiperativo, o outro que vai ter mais déficit de atenção. Também não consigo colocar todo mundo na mesma caixinha. Quando a gente pensa em personalizar o ensino, é ver realmente a individualidade de cada um. E aí, com base nisso, focar e criar estratégias que ajudem a potencializar o que essas crianças ou esses adultos têm de forte — seja o auditivo, seja o visual — e, com isso, conseguir trabalhar essas deficiências”, explica Mariana Genesine.

Ela conta que outra possibilidade de personalização é abordar um mesmo assunto de formas diferentes em cada aula. Ao revisitar o tema, usar estratégias distintas. E, a partir daí, ver onde cada um se desenvolve melhor.

Além do diagnóstico

Hoje, há um cenário de avanço nos diagnósticos (em relação a possíveis transtornos ou deficiências que possam interferir na aprendizagem, por exemplo), lembra Cristiane Baqueiro. Mas, segundo a especialista, para realmente incluir os alunos — e não apenas os que têm um diagnóstico — é preciso desenvolver esse olhar para o indivíduo. Por exemplo: se um estudante tem facilidade com escrita, apresentar um texto; se é bom em oratória, fazer uma leitura.

“Isso não implica em ter deficiência, ter um nome, ter uma denominação ou um problema, uma alteração de desenvolvimento. Isso é inerente ao ser humano. Habilidades acontecem de formas variadas em todo ser humano. Tem pessoas que são mais orais, mais auditivas, visuais. Isso independente de ela ter qualquer transtorno de desenvolvimento. Não existe aquele que é 100% em todas as habilidades. É apenas isso: contemplar métodos de ensino que olhem para as várias possibilidades de como um mesmo assunto pode chegar em pessoas diferentes, porque somos indivíduos”, explica Cristiane Baqueiro.

Além disso, ela destaca que a aprendizagem é um processo contínuo e que funciona como uma troca. “O importante é ressaltar que devemos ser protagonistas do nosso aprendizado e contribuímos de maneira irrefutável para o aprendizado do próximo.” 

A fonoaudióloga Cristiane Baqueiro fala das possibilidades de aprendizagem que respeitam as individualidades (foto: arquivo)

Educação continuada

Cristiane e Mariana trabalham juntas num projeto de educação continuada que apresenta a educadores temas, por exemplo, sobre como o cérebro funciona, como se dá o desenvolvimento infantil, transtornos de aprendizado — os tópicos variam de acordo com a escola ou instituição de ensino visitada.

Um dos motivos para a criação desse projeto foi a observação de que muitas vezes as escolas recebem o laudo de um aluno e não sabem como proceder a partir daí. Surgiu, então, a ideia de oferecer uma formação específica sobre o assunto para os educadores. “A gente não ensina como dar aula, porque isso não nos compete. A gente não pode dizer para um professor: ‘olha, você tem que fazer isso’. Mas, de repente, [podemos] ajudar a construir estratégias que vão priorizar toda uma classe em uma única estratégia, e não uma estratégia para cada um”, diz Cristiane.



Bett Brasil

*A Bett Brasil é o maior evento de educação e tecnologia na América Latina. Acontece de 9 a 12 de maio, no Transamerica Expo Center, São Paulo. E nós, da Educação, estamos fazendo uma cobertura especial. Clique aqui para ficar por dentro de tudo.

Nossa cobertura jornalística tem o apoio das seguintes empresas: Epson, FTD Educação, Santillana Educação, Skies Learning by Red Balloon e Somos Educação.



Autor

Juliana Fontoura


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