Novo Enem: matrizes referenciais devem sair no final de 2022

Afirmação é da presidente do CNE, Maria Helena Guimarães, que integra o recém-instituído Comitê de Governança do novo Enem. Ela falará sobre o tema no Grande Encontro da Educação, em 18 de agosto

O Inep acaba de instituir o Comitê de Governança do novo Enem, integrado por representantes do MEC, do Consed (que reúne os secretários de Educação dos estados) e de especialistas que assessoram o Inep na elaboração das matrizes de referência; documento primordial, cuja publicação está prevista para o final deste ano, “com certo atraso”, afirma Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE).

“Teremos reuniões todos os meses e espero que até o final de 2022, de fato, consigamos publicar as matrizes para que, no ano que vem, cumpramos a etapa do BNI (Banco Nacional de Itens)” – essencial para a elaboração e aplicação do exame. Há certo temor na fala da presidente quanto ao prazo, uma vez que segundo ela, o documento já deveria estar pronto. “Espero que de fato isso ocorra”, diz. 

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Leia: Itinerários formativos e o desafio da lei de chegar para todos

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Enquanto isso, o primeiro ano do novo ensino médio já está em curso, ainda às cegas sobre que tipo de avaliação será realizada no Enem 2024. “Aquilo que sabemos ainda é pouco, saiu o documento base, mas ainda faltam vários aspectos, como as matrizes. Nessas circunstâncias, as mudanças que estão ocorrendo no colégio ainda não são relativas ao novo Enem. Intencionalmente, definimos apenas a primeira série do ensino médio”, relata Esther Carvalho, diretora-geral do Colégio Rio Branco, em São Paulo. Ela também é uma das presenças confirmadas na mesa do dia 17 de agosto no GEE.

Para a educadora, as mudanças do novo ensino médio foram fundamentais e precisavam acontecer. Ela explica que o formato permite redesenhar os currículos de tempos em tempos e dá maior flexibilidade, buscando o interesse das crianças. “Isso proporciona conexão com habilidades, direitos e objetivos de aprendizagens essenciais, além dessa dimensão de educação integral, que considera aspectos físicos, cognitivos e socioemocionais.”

Esther Carvalho também reafirma a lógica de que é necessário que o instrumento de avaliação do ensino médio converse com a proposta curricular do novo Enem e ressalta que é bastante desafiador se utilizar de diferentes tipos de itens, diferentes formas de organizar a escolha do aluno. “Mas essa questão da formação geral básica e depois dos itinerários, realmente parece bastante coerente”, diz. “Nossa preocupação é o tempo dessas definições e o impacto do Enem em outros processos seletivos de peso como no estado de São Paulo a USP, Unicamp, etc.”

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Leia: Novo ensino médio: currículo nunca foi tão discutido

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Como será o novo Enem

O novo Enem terá duas etapas, ou seja, dois dias de prova, como de costume. A primeira etapa será igual para todos: avaliará a formação geral básica comum a todos os alunos do novo ensino médio, de acordo com as competências e habilidades previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – com abordagem interdisciplinar e inglês obrigatório como língua estrangeira. 

Na segunda etapa (ou no segundo dia de avaliação) o aluno escolhe uma única prova, de acordo com a área de conhecimento e os itinerários formativos que tiver cursado no ensino médio. As provas se dividem em quatro áreas integradas:

  • Linguagens, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas;
  • Matemática, Ciências da Natureza e suas Tecnologias;
  • Matemática, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas;
  • Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.

Vai ser melhor?

Maria Helena Guimarães, participou pessoalmente da criação do Exame Nacional do Ensino Médio em 1998, enquanto era presidente do Inep. Ela esteve presente em toda a trajetória do maior vestibular do país e enxerga sua atual revolução positivamente. “Creio que significa um grande avanço. Ninguém é obrigado a estudar tudo, saber de tudo. Avaliar a competência e as habilidades dos alunos e de aprofundamento na área de conhecimento de sua de escolha é um alinhamento com as tendências de seleção em todos os países do mundo, de lugares que oferecem alternativas para eles”.



Grande Encontro da Educação

Maria Helena e Esther Carvalho estarão presentes no painel Um Enem diferente, vai ser melhor?, dia 17 de agosto, no Grande Encontro da Educação, que chega à oitava edição. Vera Lúcia da Costa Antunes, coordenadora pedagógica no Curso e Colégio Objetivo também participará da mesa. Promovido pela Plataforma Educação e Plataforma Ensino Superior, o evento ocorrerá entre 16 e 19 de agosto, de forma híbrida e com inscrições gratuitas. O encontro será híbrido nos dias 16 e 17 de agosto e somente online nos dias 18 e 19. Mais de 50 palestrantes estão confirmados.

Onde: Inteli (Instituto de Tecnologia e Liderança), localizado no campus Cidade Universitária da USP. Inscrições gratuitas: https://grandeencontrodaeducacao.com.br/

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