Tecnologias que transformam: usar dados para educar melhor

Para além de dialogar com as novas gerações, recursos tecnológicos estão cada vez mais aprimorados também ao detectar lacunas de aprendizagem de cada aluno

Entre os inúmeros potenciais da tecnologia está o de auxiliar a saltar etapas no desenvolvimento educacional, como é o caso das plataformas adaptativas, que identificam as insuficiências de aprendizagem dos alunos. Basta imaginar uma sala de aula: nela é natural que existam alunos de diversos perfis e ritmos, em que uma aluna caminha exatamente com a professora, mas outro travou no conteúdo de dias atrás.

É por isso que Claudia Costin enxerga a importância de um processo de ensino coletivo e também personalizado. Ela é professora universitária na FGV-RJ (Fundação Getulio Vargas) e Harvard, EUA, e diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais (CEIPE) da FGV.

“As plataformas adaptativas não substituem os professores. São instrumentos poderosos nas mãos de um educador que não poderá personalizar o processo de ensino em uma sala de 40 alunos. Sozinho, por meio de provas escritas, é inviável identificar exatamente onde está cada estudante”, alerta Costin.

Um leque de possibilidades

Criado em 1943, o Colégio Stella Maris, de Curitiba, Paraná, é adepto dessas tecnologias. Jacqueline Daraia, diretora da unidade Juvevê, conta que utilizam os recursos da edtech Plataforma A+ e que para as aulas online, impostas pelo isolamento social, estão sendo decisivos para a continuidade com qualidade.

“Com o apoio da Plataforma podemos acompanhar o aluno de forma integral por meio de relatórios personalizados, que consideram tempos de avaliação e revelam se o estudante está presente nas aulas e se está interagindo com o professor. Avaliações, informativos, documentos, tudo fica armazenado e nada se perde”, garante. Ela sente que traz tranquilidade ao detalhar o que está acontecendo com o aluno mesmo quando ele está distante fisicamente.

Pandemia, e agora?

A virada do ensino presencial para o online por conta da covid-19 foi feita ano passado em apenas 48 horas no Colégio Physics, de Belém, Pará, parceiro da Plataforma A+ desde 2019. Ou seja, já tinha familiaridade com as tecnologias educacionais e o ambiente virtual de aprendizagem da edtech foi crucial, inclusive para o reconhecimento do colégio na região.

“O Physics foi a única escola do estado do Pará a conduzir aulas em tempo real, tanto que acabamos recebendo cerca de 200 alunos da educação básica que migraram de outras escolas”, conta o diretor Adriano Souza de Oliveira.

Hoje, 30% das famílias optaram pelo método totalmente online e há alunos morando em outras regiões. “Uma de nossas famílias está em Brasília, mas já confirmou que o filho continuará os estudos no Physics no formato a distância”, assegura o diretor.

Além das ferramentas pedagógicas, o Physics contou também com o apoio das ferramentas de gestão da Plataforma A+, como a Matrícula+. A solução reforçou o ciclo de captação de alunos e permitiu que as famílias garantissem matrículas e rematrículas na segurança de casa. “Assim como para as aulas, nesse período foi fundamental ter opções para realizar todos os processos escolares de forma online”, comenta Oliveira.

Leia: Tecnologia na educação vai além de oferecer uma ferramenta

Inovar pede cautela

Sobre os benefícios da tecnologia no processo de ensino e aprendizagem, a análise de dados não pode ser deixada de lado. É o que reforça Alexandre Sayão, CEO da Plataforma A+.

“A tecnologia possibilita que o professor conheça mais os alunos por meio dos dados. Cada interação utilizando tecnologia gera história: apresenta formatos que engajam mais, o tempo de estudo, se aprende mais com texto ou vídeo. São dados sendo gerados que ajudam o professor com as lacunas e em como lidar com o problema”, pontua Alexandre Sayão.

tecnologia educacional

CEO da Plataforma A+, Sayão já foi coordenador pedagógico e atuou em projetos com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (foto: Flávia Martins)

As startups têm em seu conceito a missão de criar soluções inovadoras para o seu público, no caso das edtechs, para a área educacional. Alexandre Sayão acha positiva a cultura desse mercado de primeiro focar as soluções oriundas de necessidades reais para depois propor algo mais específico e sem a pretensão de construir um grande produto.

Parceria

Contudo, ele defende que os profissionais que compõem uma edtech devem ter experiência ou conhecerem a fundo a área da educação e assim oferecerem soluções prioritárias, no lugar, por exemplo, de um bebedouro inteligente em que a água é liberada por aproximação. “O produto é legal, mas não é a principal demanda”, diz.

Mas claro, ele sabe da importância do olhar inovador em um setor tradicional e com práticas ainda muito analógicas. “As escolas precisam de inovação, mentalidade um pouco mais voltada para entregas rápidas, busca de feedback, testar e pilotar. Porque a escola ainda está ganhando velocidade nesse mundo de tecnologia do século 21 em que tudo acontece muito rápido.” Sayão defende o diálogo entre a parte tradicional escolar e a inovação da edtech. “O processo precisa ser gradual. Entender os primeiros resultados e gradualmente levar a novas soluções”, orienta.

A tecnologia em cada etapa do aprendizado

Foi a partir de demandas reais das escolas que a Plataforma A+ desenvolveu seu ecossistema de soluções, com foco na utilização de dados para acompanhamento do engajamento e desempenho dos alunos em tempo real. “Seja no processo de ensino e aprendizagem ou na gestão escolar, oferecemos soluções para apoiar as escolas de forma integral. Enquanto o Estuda+, nosso LMS, o Escreva+, o Leia+, o Aula+, o A+ Bilíngue, o A+ Trilhas do Ensino Médio e o A+ Educação Financeira são ferramentas com foco pedagógico, o Matrícula+ e o Agenda+ são direcionados à gestão escolar, resolvendo duas grandes dores das escolas: a burocracia da matrícula e a comunicação com as famílias”, explica Sayão.

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