Efeito pandemia: rematrículas em escolas privadas caem quase 20%

Segundo especialista em gestão educacional, redução de rematrículas ocorre pelo receio das famílias sobre 2021. Contudo, o mesmo acredita que deve haver aumento até o final de março

O último trimestre do ano costuma ser o momento de captação de novos alunos e rematrículas nas escolas privadas. No entanto, o desafio por conta da pandemia foi intensificado, gerando discussões sobre metodologias, tecnologia, infraestrutura e preparo para lidar com a possibilidade de um ensino híbrido. Segundo dados do Grupo Rabbit, empresa de consultoria em gestão educacional, o número de rematrículas nas escolas privadas brasileiras foi de 46% nas  entre os meses de setembro e novembro deste ano, quase 20% a menos registrado no mesmo período de 2019, que foi de 65%.

Leia: Já que vamos reabrir escolas, os professores estão bem?

rematrículas escolas

Queda nas rematrículas em 2020 nas escolas de educação básica é um dos efeitos da pandemia (foto: Pexels)

A pesquisa foi realizada com cerca de 1,2 mil escolas atendidas pelo Grupo. Para Christian Coelho, CEO do Grupo Rabbit, a redução de rematrículas está acontecendo pelo receio das famílias sobre o ano de 2021.

“Muitos pais ainda não sabem se devem ou não rematricular os filhos e ainda não estão efetivamente procurando uma instituição de ensino; vamos identificar muitas matrículas até o final de março do ano que vem.”

Leia: 5 passos para identificar lacunas de aprendizagem causadas pela pandemia

Reorganização

Aliás, Coelho acredita que esse comportamento em esperar até o primeiro trimestre de 2021 para a efetivação das rematrículas nas escolas também vai afetar o projeto pedagógico. “Teremos muitos alunos entrando na escola depois das aulas já terem iniciado, principalmente na educação infantil e ensino fundamental”, explica.

No entanto, o estudo também aponta que, mesmo com a queda do número de rematrículas, a perda de alunos entre setembro e novembro foi de apenas 4%. “Esse número é referente aos pais que declararam que não vão rematricular os filhos nas escolas em que estão, mas, por mais que o dado seja baixo, não podemos afirmar que as escolas irão perder mais ou menos alunos nessa mudança de ano letivo, pois cerca de 50% das famílias ainda não tomaram uma decisão”, reforça.

Confira, a seguir, dicas de Christian Coelho sobre os próximos passos que as escolas precisam fazer para conseguirem traçar o planejamento de 2021:

  1. Revisar as estratégias

“O atraso na captação de novos alunos pode trazer uma perspectiva positiva para o replanejamento”, afirma Coelho. Ele explica que esse momento permitirá uma revisão das estratégias e ajustes de rotas, além de um pit stop para o time repor as energias e iniciar o segundo período de alta sazonalidade mais motivado.

  1. Cobrar as mensalidades em atraso

Mesmo no período de férias, é preciso cobrar os familiares que possuem algum tipo de dívida com a escola. “Cuidado com o aumento da inadimplência para que não haja maiores prejuízos para o funcionamento da escola”.

  1. Rever o fluxo de caixa da escola

Nesse contexto, é a hora de organizar e rever o fluxo de caixa da escola no período e para o planejamento. Sendo assim, Christian Coelho indica que as instituições de ensino utilizem ferramentas simplificadas como software um planilhas.

  1. Manter o vínculo com os alunos já matriculados e seus familiares e com os que saíram da escola

Manter uma comunicação constante pode ser uma boa estratégia para mostrar a relevância dessa relação família e escola. Uma sugestão, de acordo com o especialista, é enviar mensagens com recomendações de atividades para as férias, alertas sobre os cuidados de prevenção à covid-19, recados de boas festas. “Como disse um dos mais conceituados especialistas de gestão de marketing da história, Philip Kotler: ‘conquistar um novo cliente custa de cinco a sete vezes mais que manter um atual’”, conclui.

Leia também:

Educação híbrida ganha associação

Os desafios do retorno gradual

Envie um comentário

Your email address will not be published.