Quatro efeitos positivos de aprender brincando em família

A importância do brincar é destaque deste artigo de Leo Burd, diretor-executivo da Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa

Por Leo Burd*

A pandemia do coronavírus está levando crianças, jovens e seus familiares a conviverem mais. A suspensão das aulas nas escolas e os ajustes de rotina devido ao isolamento social compulsório abriram a oportunidade para o encontro e para a conexão no ambiente residencial. Está aí uma chance de resgatarmos e experimentarmos novas formas de aprender e de conviver em família. Para isso, nada melhor do que brincar!

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Brincar conecta. Brincar ensina. Cada um se conecta consigo e com os demais, e todos aprendem. Por isso, o Programa Aprendizagem Criativa em Casa (aprendizagemcriativaemcasa.org), da Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa (RBAC), convida famílias e a comunidade escolar a mergulharem em atividades mão na massa para inventarem e compartilharem projetos significativos e colaborativos, de forma livre e divertida, usando materiais, ferramentas e espaços que já integram o seu cotidiano.

Há muitos efeitos de se experimentar e adotar a prática do aprender brincando na escola e em casa. Vou falar de quatro deles aqui:

aprender brincando família

Foto: Shutterstock

Pensamento criativo

A primeira razão é que a experiência do brincar desenvolve o pensamento criativo. A criatividade é como um músculo que todos possuem, e a brincadeira é uma das melhores formas de exercitá-lo. Pode-se inventar de tudo nas atividades: narrativas, cenários, histórias, engenhocas, cartazes, músicas.

Para apoiar tanta criatividade, é preciso criar oportunidades e condições para que a criança alimente sua imaginação. Uma solução simples é a criação de um “cantinho mão na massa”, que pode ser um espaço, ou até mesmo uma caixa onde a criança guarda materiais e ferramentas que pode utilizar em seus projetos. Vai ter lápis de cor, papel colorido, recortes de papelão e retalhos de tecido, fita adesiva, até panela e colher… E vai sobrar imaginação! Uma “caixa mão na massa” é um meio para que as ideias se transformem em ações concretas, criando-se algo “no mundo”.

Empatia e colaboração

O segundo efeito de aprender brincando é que essa atitude desenvolve empatia e colaboração. As ideias não surgem do nada; elas são inspiradas e tomam forma a partir de nossas interações com as pessoas e o mundo ao nosso redor. Brincar é um processo social em que pedimos ajuda, sugerimos, argumentamos, fazemos juntos, lidamos com ideias diferentes, desabafamos, acatamos. Brincadeiras em família na infância resultam no desenvolvimento de sociabilização e de espírito de equipe, além de ótimas lembranças, na vida adulta, do tempo de criança. Ainda me lembro de quando minha mãe e eu passamos a tarde fazendo criações malucas com copinhos de plástico e garrafas PET. Cada um do seu jeito, ela fez uma flor super bonita, enquanto eu dei um monte de voltas tentando colocar meu robozinho de pé!

Livre experimentação na resolução de problemas

O terceiro efeito de brincar em família é criar o hábito de explorar livremente, brincar, com materiais, ferramentas e espaços que temos à nossa disposição, buscando e trazendo soluções não esperadas para problemas simples ou complexos. No brincar, não existe o certo ou o errado. Criar e montar brinquedos novos a partir de antigos — um carrinho que se transforma em submarino, uma tampinha que vira peça de tabuleiro —, inventar personagens, peças de teatro, repentes e poemas, criar um museu de memórias, projetar o mundo dos sonhos. Essa liberdade criativa pavimenta o caminho para o desenvolvimento de habilidades das ciências, tecnologia, engenharia, matemática e artes, tão importantes para a sociedade atual, fazendo da criança alguém que não apenas aplica soluções, mas as constrói em um processo natural de experimentação, tentativa e erro, desenhando e redesenhando durante o processo.

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Trabalhar com paixão

Por fim, o quarto efeito de aprender brincando é o incentivo ao trabalho com paixão, em projetos que sejam relevantes e significativos para as crianças e as pessoas ao seu redor. Ao mergulharmos em algo que nos interessa, nos conectamos mais profundamente com as pessoas, materiais e temáticas envolvidas. Como consequência, aprendemos melhor e conseguimos aplicar nossos conhecimentos em várias áreas de nossas vidas. Incentivar a aprendizagem e a criatividade é o melhor presente que podemos dar para a nova geração. Isso é algo que devemos e podemos fazer por toda a vida, e nada melhor do que começar desde pequeninos, em casa, de forma divertida, com prazer e em boa companhia.

Vamos brincar?

*Leo Burd e diretor-executivo da Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa (RBAC) e pesquisador no MIT Media Lab nos EUA.

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