Jovens são hostis a colegas homossexuais no ambiente escolar, diz pesquisa

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Os alunos do ensino médio no Brasil têm como principal motivação para estudar conseguir uma vida melhor ou um emprego. E reclamam dos professores principalmente quando o assunto é atribuição de notas. Também são intolerantes com alunos que atrapalham as aulas e com colegas de orientação sexual diferente da hegemônica. Essas são as principais conclusões do estudo Juventudes na escola, sentidos e buscas: por que frequentam?, divulgado no final de 2015 pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).
A pesquisa colheu respostas de 8.283 estudantes com idades entre 15 e 29 anos, matriculados no ensino médio público convencional, Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Projovem Urbano (programa federal que visa a formação de pessoas de 18 a 29 anos de idade no ensino fundamental). Foram entrevistados estudantes do Pará, Bahia, Mato Grosso e Rio de Janeiro. As escolas selecionadas foram sorteadas entre aquelas com mais de 500 alunos matriculados.
Uma das questões propostas no questionário foi: “Qual destas pessoas você não queria ter como colega de classe?”. Os maiores índices de rejeição são dirigidos aos bagunceiros (41,4%). Homossexuais, transexuais, transgêneros e travestis foram indicados como pessoas indesejadas como colegas de classe por 19,3% dos entrevistados, pobres por 0,7%, deficientes por 0,6% e negros por 0,3%.
As garotas tendem a rejeitar com maior ênfase os bagunceiros, os puxa-sacos dos professores e os egressos de unidades prisionais, enquanto a maioria dos garotos (31,3%) diz não querer como colegas de turma homossexuais e travestis. Entre as meninas, esse índice baixa para 8%.
A importância dos professores influencia 5,4% dos alunos do Projovem Urbano a se manter na escola, apenas 1,3% dos alunos do EJA e 0,9% dos matriculados no ensino médio convencional. Já o principal motivo de reclamação com relação aos docentes é a atribuição de notas (32,9%), especialmente entre os alunos da EJA (43%) e do PJU (44,3%), mas também há um percentual alto entre os estudantes do ensino médio comum (31,5%). Os entrevistados apontam o cansaço (22,6%) e a necessidade de trabalho (19,1%) como razões mais expressivas das dificuldades para estudar. O gênero, mais uma vez, influencia as respostas. Ter de cuidar de casa ou dos filhos pesa muito mais entre as garotas (12,3%) do que entre os garotos (7,7%), quando o assunto em questão são os motivos que os impedem de ir à escola.
 

Fonte: Abramovay, Waiselfi sz e Castro; Pesquisa Jovens de 15 a 19 anos – FLACSO e MEC, 2013