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ExpoEduc

Autor

Revista Educação

Publicado em 25/07/2026

Inteligências múltiplas no ensino de crianças autistas

“Aprender de diferentes formas é o que torna a escola inclusiva”, diz Fabiana Cáceres sobre a importância de adotar métodos de ensino que humanizem e enxerguem crianças autistas como pessoas inteiras

Por Ingrid Torres, de Natal | “Laudo não define pessoas”. É com essa frase que Fabiana Cáceres, bióloga, neuropedagoga, especialista em gestão educacional e mestre em educação, abre sua palestra Inclusão que funciona: Estratégias práticas para alunos autistas com base nas inteligências múltiplas na ExpoEduc*, em Natal. Antes de falar sobre metodologia, Fabiana faz questão de reposicionar o olhar, destacando que por trás de qualquer diagnóstico existe uma criança inteira, com interesses, potenciais e uma forma própria de estar no mundo.

Como professora há 24 anos, Fabiana compartilha essa reflexão também como pessoa que viveu o processo em sala de aula, uma criança com laudo, como diz ela. E é de uma pergunta simples que nasce sua proposta pedagógica: será que todas as crianças aprendem da mesma forma? Como potencializar a aprendizagem de cada aluno?

Para ela, a resposta está na observação atenta, ao perceber que cada criança aprende de um jeito diferente, e muitas crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) aprendem muito mais por meio da música do que de métodos tradicionais, por exemplo. Reconhecer essa diversidade não é uma exceção, mas torna a escola inclusiva de fato.

Como potencializar a aprendizagem de cada aluno? Para a palestrante, a resposta está na observação atenta (Foto: Ingrid Torres/ revista Educação)

 

O que são as inteligências múltiplas

Falando especificamente sobre uma criança autista, que muitas vezes vive mais em seu próprio mundo, a neuropedagoga defende que pensar nas inteligências múltiplas significa adotar uma metodologia de ensino capaz de compreender a inteligência particular de cada criança. O conceito, desenvolvido pelo psicólogo Howard Gardner, propõe nove tipos de inteligência: a linguística, a musical, a naturalista, a existencial, a lógico-matemática, a espacial, a corporal-cinestésica, a interpessoal e a intrapessoal. 

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Segundo a professora, as metodologias inspiradas nessas Inteligências Múltiplas permitem que a criança autista encontre diferentes caminhos para acessar o conhecimento, respeitando seu perfil de aprendizagem, seus interesses e suas potencialidades. “Quando o professor diversifica as formas de ensinar, amplia também as possibilidades de aprender”, afirma ela.

 

A família como parte importante do processo

Nenhuma estratégia pedagógica funciona isolada, reforça Fabiana. É importante haver integração entre escola e família para que a aprendizagem seja efetiva e colaborativa. Isso passa por inserir os pais no processo, ouvindo seus relatos para entender o contexto de cada criança e, a partir daí, construir momentos de aprendizagem baseados em experiências reais.

Ela lembra ainda a dimensão do desafio no Brasil, onde estima-se que existam 2,4 milhões de pessoas autistas no país, segundo dados do IBGE de 2025. Um número que reforça a urgência do tema. Para Fabiana Cáceres, este é o momento de os educadores olharem para essas crianças e as enxergarem, antes de tudo, como pessoas dentro do processo educacional.

A bióloga também amplia o debate para além dos muros da escola, reforçando a ideia de que a inclusão não é pauta exclusiva da educação e que precisa ser tratada como um tema intersetorial, que envolve saúde, assistência social e políticas públicas trabalhando de forma integrada com o ambiente escolar.

Diante de um aluno autista, a pergunta que move o educador costuma ser: o que eu faço para melhorar essa prática? O que eu faço para melhorar o ensino dessa criança? É esse questionamento constante que vale mais do que respostas prontas e sustenta o trabalho pedagógico inclusivo.

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Crianças são como pipas

Para ilustrar o papel do professor nesse processo, a educadora recorre à metáfora de que as crianças são como pipas, elas precisam alçar voo, e para isso elas precisam praticar esse voo. Os professores estão aqui para mediar essas pipas, ajustando a linha, sentindo o vento, permitindo que cada uma encontre sua própria altura.

No fim, a mensagem central da palestra de Fabiana Cáceres joga luz ao poder das metodologias baseadas nas inteligências múltiplas, que está justamente em reconhecer que não existe um único caminho para aprender. Ao diversificar as formas de ensinar, com práticas menos rígidas e tradicionais, trazendo música, movimento, imagem, linguagem ou lógica, a escola deixa de exigir que a criança se adapte a um único molde e passa, finalmente, a se adaptar a ela. “Porque toda criança merece ser compreendida e aprender”, finaliza. 

*A ExpoEduc é o maior congresso Norte-Nordeste de Educação, reunindo professores, gestores e alunos. O evento está acontecendo no Centro de Convenções em Natal, Rio Grande do Norte, entre os dias 23, 24 e 25 de julho.

 

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