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ExpoEduc

Autor

Revista Educação

Publicado em 24/07/2026

O que separa instituições comuns de escolas sustentáveis?

“A sustentabilidade escolar dentro da gestão parte de uma semente que necessita de um ambiente fértil para prosperar”, reflete Alex Corsino sobre como transformar o solo educacional e trazer uma gestão mais sustentável

Por Ingrid Torres de Natal | O que faz uma escola permanecer sustentável ao longo do tempo? A resposta não está onde a maioria costuma procurar, tampouco está vinculada somente ao aspecto financeiro. Antes de ser um resultado, a sustentabilidade é uma semente, algo que se planta dentro do ambiente educacional e que envolve todos que fazem parte da escola, incluindo gestores, professores, famílias e alunos.

Essas são reflexões do painel ‘Maturidade Cultural nas Escolas: O que separa instituições comuns de escolas sustentáveis?’, que aconteceu no primeiro dia da ExpoEduc*, em Natal, apresentado por Alex Corsino, administrador e CEO da SkillsHub Desenvolvimento e Inovação Empresarial.

Uma das provocações centrais de Corsino é sobre onde a atenção da gestão escolar costuma se concentrar. “Olhamos excessivamente para as sementes e esquecemos do solo”, diz ele. Aqui, ele nos convida a pensar que investir apenas em conteúdo, metodologia ou resultado é um caminho certo, mas que pode ser expandido quando é dado o mesmo cuidado ao ambiente que sustenta tudo isso, dando destaque também à cultura, às relações e à saúde organizacional. Ou seja, não adianta apenas plantar a semente, mas preparar e cuidar do solo onde essa semente vai germinar.

É aí que entra o conceito que dá nome a essa reflexão: a maturidade cultural. Segundo Alex Corsino, maturidade cultural é a capacidade de uma instituição de desenvolver pessoas enquanto produz resultados. Não uma coisa ou outra, mas as duas ao mesmo tempo, de forma equilibrada.

E maturidade cultural não significa ausência de conflitos, significa evoluir de maneira consistente. Escolas maduras não são as que nunca enfrentam problemas, mas as que sabem atravessá-los sem perder o rumo.

 

A escola como terra fértil para liderança

Entender a escola apenas como um espaço de transmissão de conteúdo é uma visão limitada. “A escola ensina conteúdos e também ensina maneiras de viver”, pontua Corsino. Essa dupla função, a de formar academicamente e humanamente, é o que torna a instituição um organismo vivo, e não apenas uma linha de produção.

 

Leia: ExpoEduc move a educação com a pergunta: escola pra quê?

 

Nessa lógica, ele propõe uma imagem: “A escola é uma terra fértil onde pessoas desenvolvem pessoas.” O papel da liderança escolar, então, deixa de ser apenas administrar processos e passa a ser cuidar das condições do solo educacional, priorizando cultivar um ambiente onde as pessoas possam crescer. 

Se a escola precisa ser terra fértil, quem prepara esse solo? Para Alex Corsino, a resposta começa pela liderança. “Primeiro você tem que ser a transformação que você deseja ser no mundo”, resume ele ao citar o filósofo Gandhi. Não é possível pedir maturidade cultural a uma instituição sem que a gestão não aplique em sua própria prática os valores que deseja reproduzir.

Assim, a sustentabilidade escolar não nasce de um plano de ação isolado, mas de uma postura contínua de quem conduz a instituição.

 

Sustentável

A escola se torna sustentável pelas pessoas que desenvolve e pela cultura que constrói ao longo do tempo”, afirma Corsino (Foto: Divulgação)

 

Uma semente que precisa de ambiente

Voltando à metáfora inicial, o gestor sintetiza sua visão sobre gestão escolar ao dizer que: “a sustentabilidade escolar dentro da gestão parte de uma semente que necessita de um ambiente fértil para prosperar”. A sustentabilidade, portanto, não é um projeto com início, meio e fim, mas constitui um processo permanente de cultivo, que exige atenção tanto ao que se planta quanto ao terreno onde se planta.

Por fim, a reflexão de Alex Corsino aponta para uma conclusão simples e ao mesmo tempo profunda, a de que a escola se torna sustentável pelas pessoas que desenvolve e pela cultura que constrói ao longo do tempo.

Não são os números de matrícula, nem apenas o resultado financeiro que garantem a permanência de uma instituição de ensino. É a maturidade cultural, a capacidade de equilibrar desenvolvimento humano e resultado, de cuidar do solo tanto quanto da semente, e de manter a liderança coerente com o que se deseja construir, que tornam escolas verdadeiramente sustentáveis.

 

*A ExpoEduc é o maior congresso norte-nordeste de Educação, reunindo professores, gestores e alunos. O evento está acontecendo no Centro de Convenções em Natal, Rio Grande do Norte, entre os dias 23, 24 e 25 de julho.

 


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