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Edição 249

Estereótipos de gênero ainda estão presentes entre jovens

Rótulos influenciam escolha profissional; professores precisam considerar contexto e trabalhar para mudar o quadro

Publicado em 02/05/2018

por Redacao

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Estereótipos de gênero interferem na escolha profissional dos jovens, mostra pesquisa Crédito: Shutterstock

Uma parcela considerável de jovens acredita que a mulher é mais capacitada para o trabalho doméstico do que o homem. Muitos também acreditam que certos trabalhos só devem ser realizados por profissionais do sexo masculino. Esses estereótipos de gênero não surgem do acaso. Ao longo de várias gerações, eles vão sendo repassados por diversas instâncias da sociedade e, mais do que gerar preconceitos, eles interferem na trajetória profissional e pessoal das pessoas.
A baixa presença de mulheres em algumas áreas profissionais e acadêmicas de maior prestígio é, possivelmente, uma de suas consequências. As meninas sofrem com a falta de modelos e com a falta de apoio da família e até da escola para tomar determinadas decisões.
Considerando que há um quadro de desigualdades nos indicadores educacionais das jovens no campo das ciências exatas e tecnológicas, a Fundação Carlos Chagas (FCC) realizou a pesquisa Elas nas Ciências: um estudo para a equidade de gênero no ensino médio com o objetivo de entender quais fatores relacionados à escola influenciam as escolhas das jovens em relação à formação e carreira profissional. O levantamento foi realizado com o apoio do Instituto Unibanco e envolveu dez escolas públicas de ensino médio de São Paulo. Nestas instituições, os pesquisadores aplicaram questionários a 1,4 mil alunos do 3º ano e a 122 professores, além de realizar grupos de discussão com os dois públicos.
LEIA MAIS  Os desafios dos professores de ciências para implementar abordagem investigativa no ensino
De acordo com Sandra Unbehaum, coordenadora da pesquisa, os professores apareceram como um dos principais fatores de influência. Eles exercem uma grande ascendência sobre as alunas e podem tanto incentivá-las como desestimulá-las a seguir a carreira desejada. Um exemplo claro foi apresentado por uma das estudantes ouvidas. Ao grupo, ela contou que tinha intenção de trabalhar na área da biologia marinha, mas desistiu por causa de um professor. Este lhe disse que a área era predominantemente masculina e que, numa possível expedição, ela poderia até ser abusada.
Além das conversas diretas, a maneira como os professores conduzem as práticas pedagógicas também contribui para o quadro de desigualdades. Os docentes de matemática, física, química e biologia entrevistados enfatizaram que não havia diferença de tratamento entre meninos e meninas e que o conteúdo era passado igualmente para ambos. “Ao serem questionados por que o desempenho das meninas era ligeiramente inferior ao dos meninos na prova de matemática do Saresp, muitos disseram que as meninas não tinham o mesmo interesse que os meninos pela matéria”, relata Sandra. Outros enfatizaram que elas eram esforçadas apesar dos resultados. “Também foi destacada a falta de apoio das famílias. Porém, em nenhum momento eles fizeram uma autocrítica e se colocaram como parte do resultado”, comenta a especialista da FCC.
Essas respostas demonstraram na opinião dos pesquisadores uma falta de entendimento quanto à existência de processos de socialização diferenciados para meninos e meninas e os impactos disso sobre seus interesses e trajetórias. Ou seja, os professores não estão compreendendo a necessidade de estimular as meninas para as suas disciplinas e para as ciências de modo geral. “Lançar mão de estereó­tipos é fugir do problema. O professor precisa refletir sobre sua prática”, afirma a pesquisadora da FCC.
O primeiro passo para a mudança é reconhecer a existência desses estereótipos, entender como as desigualdades de gênero são constituídas e, a partir daí, tornar a equidade um valor fundamental na escola. Isso pode ser feito por meio de várias medidas, como mostra o estudo. Uma delas é entender que os estudantes não são todos iguais e que as práticas pedagógicas variam conforme esses perfis. “Se as alunas estão chegando com baixa expectativa, se elas não acreditam que podem ocupar as posições que quiserem, é preciso adotar outra estratégia. A ação tem de ser diferente”, finaliza Sandra.

O papel de cada um

Por meio de entrevista com 1,4 mil jovens do ensino médio, a pesquisa Elas nas Ciências: um estudo para a equidade de gênero no ensino médio mostrou que os estereótipos de gênero ainda estão muito presentes na vida dos jovens:
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