NOTÍCIA
MEC destaca resultados positivos, apesar da diminuição no número de matrículas do ensino básico
A redução no número de matrículas da educação básica não representa um problema, de acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana. Durante a divulgação de resultados do Censo Escolar 2025, o chefe da pasta justificou os fatores que levaram à diminuição das matrículas: diminuição da população na faixa etária educacional e aumento no atendimento educacional. A divulgação do Censo foi realizada nesta quinta-feira, 26, em Manaus, no Amazonas.
Fábio Bravin, pesquisador e membro da Diretoria de Estatísticas Educacionais do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), começou a apresentação com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE. Segundo os números, os últimos anos apresentaram tendências de queda da população de 0 a 4 anos e de 15 a 17 anos, grupos alvo da educação básica. “Certamente isso terá algum nível de impacto sobre o número de matrículas”, pondera.
Em contrapartida, o atendimento educacional da população que frequenta a escola tem crescido nos últimos cinco anos. Em 2024, o atendimento para crianças de 0 a 3 anos foi de 39,7%. Já para as crianças e adolescentes em fase de escolarização obrigatória, de 4 a 17 anos, a taxa apresentada foi de 97,2% (compare no gráfico abaixo). “Além disso, os alunos têm repetido menos. Ao reter o aluno e não permitir que ele avance nas etapas de ensino, você incha o sistema”, acrescenta.

Daniela Caldeirinha, vice-Presidente de Educação da Fundação Lemann (foto: divulgação)
Para Daniela Caldeirinha, vice-presidente de educação da Fundação Lemann, a queda nas matrículas reforça o peso da transição demográfica sobre toda a educação. “Percebemos um movimento relativamente parecido, de 2,1% na rede pública e 2,9% na privada. O ‘alívio demográfico’ é desigual entre regiões e municípios e não se traduz automaticamente em melhores resultados de aprendizagem”, pontua. “Transformá-lo em uma janela de oportunidades exige escolhas institucionais e de gestão, como reorganizar a rede, priorizar o orçamento educacional e qualificar a expansão de políticas com foco em uma visão ampliada do desenvolvimento dos estudantes e em educação em tempo integral nas escolas”.
Em 2025, foram 46 milhões de matrículas nas 178,8 mil escolas de educacão básica no Brasil. Entre os anos de 2024 e 2025, a rede pública teve uma redução de 2,1%, enquanto a rede privada reduziu 2,9%.
“A população brasileira diminuiu e nós melhoramos o fluxo desses alunos, que têm passado de ano. Há uma queda na distorção entre idade e série. O sistema está mais eficiente”, afirma Camilo Santana durante a apresentação. Veja outros destaques do Censo:
Entre 2021 e 2024, as matrículas em creche cresceram 22,5%, com estabilização em 2025 (crescimento de 1% na rede pública e queda de 2,5% na rede privada). Segundo o IBGE, em 2024, o atendimento escolar foi de 39,8%. Vale destacar que a população de 0 a 3 anos recuou 8,4% entre 2022 e 2025.

Levantamento contou com mais de 230 mil usuários informantes (foto: J.P. Junior Pereira/Shutterstock)
Após um período de recuperação pós-pandemia, as matrículas na pré-escola apresentaram certa estabilização em 2024 (-0,6%) e queda em 2025 (-3,8%). A queda no último ano foi mais acentuada na rede privada (5,9%) que na rede pública (3,2%). No entanto, a mudança na tendência da matrícula acompanha o movimento de queda da população de 4 a 5 anos de idade (queda de 2,5% de 2023 para 2024 e 3,6% de 2024 para 2025). Na faixa etária adequada à pré-escola, o atendimento escolar foi de 93,4% em 2024.
O percentual de escolas com internet na educação básica passou de 82,8% em 2021 para 94,5% em 2025. Os estados do Acre (52,5%), do Amazonas (66,6%), de Roraima (68,3%) e do Amapá (69,3%) apresentam os menores percentuais de internet disponível nas escolas.
O campo de cor/raça é coletado no Censo escolar desde 2005. A ausência da informação (categoria “Não declarada”) apresentou queda expressiva nos últimos dois anos, passando de 25,5% em 2023 para 13,6% em 2025, considerando todas as etapas da educação básica, indicando melhoria na qualidade dessa informação.
O Censo Escolar é realizado de forma descentralizada, por meio de uma colaboração entre a União, os estados e os municípios. Participam da pesquisa mais de 230 mil usuários informantes. Para ler o material na íntegra, acesse: Censo Escolar 2025.
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