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Ricardo Tavares

Ricardo Tavares é diretor-geral da FTD Educação

Publicado em 15/06/2023

Inclusão, saúde mental e sustentabilidade: educação muito além do ChatGPT

Ricardo Tavares, que acompanhou o evento da Bett Brasil 23, traz neste artigo algumas considerações e percepções sobre o futuro da educação

Uma jornada rumo ao futuro da educação. Para apresentar as novas tendências, tecnologias, soluções e ferramentas para o cotidiano escolar, a Bett Brasil 2023, o maior evento do setor educacional da América Latina, reuniu mais de 270 marcas expositoras e palestrantes inspiradores na primeira quinzena de maio, em São Paulo. 


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Tudo de mais inovador e disruptivo no segmento educacional passou pelos corredores do Transamérica Expo Center, na 28ª edição da feira, um hub de inovação do setor que atraiu mais de 35 mil visitantes, entre professores, educadores, mantenedores e gestores do ensino privado e público.

Pude acompanhar os quatro dias de evento e trago algumas considerações e percepções a partir do meu olhar e minha experiência. Com uma volta rápida pelo espaço já dava para se conectar às últimas novidades e soluções para o ensino. O mercado educacional levou em peso recursos de inteligência artificial — em diversas palestras e fóruns, o ChatGPT ganhou status de estrela. 

Mas a edição foi muito além do assistente virtual desenvolvido pela OpenAI. Temas como aprendizagem personalizada e adaptativa; experiências imersivas e interativas para os estudantes por meio de ferramentas de realidade virtual e aumentada no metaverso; uso da gamificação no contexto educacional; e formação e capacitação adequada dos professores na utilização das novas tecnologias foram muito debatidos. 

Essa edição trouxe ainda a consolidação das soluções voltadas à educação bilíngue, que já aparece como uma tendência para o setor e um norte para o ensino de língua estrangeira no Brasil, com seus desafios e expetativas. 

A educação inclusiva, antirracista e com diversidade, também ganhou holofotes no evento, tornando-se claro o desafio e a necessidade crescente da humanização nas relações educacionais. 

Ao lado dos grandes players já consolidados no setor, as edtechs conquistaram mais espaço, seja individualmente ou em parceria, oferecendo produtos e serviços que visam aprimorar a educação. Entre os expositores, 21 startups participaram da feira, representando um setor que já engloba mais de 800 edtechs no Brasil, segundo levantamento de 2022 feito pela Associação Brasileira de Startups do Brasil (Abstartups). Houve um aumento de quase 45% em relação ao mapeamento anterior, de 2020. 

A FTD Educação, por exemplo, apresentou em seu estande as soluções desenvolvidas por startups parceiras, como Pontue, Zoom Education for Life e SuperApp Diário Escola, além do Instituto Ayrton Senna, que atuam com correção de redação com inteligência artificial, soluções de robótica e cultura maker, gestão escolar e ferramentas de avaliação socioemocionais.

Cuidados com a saúde mental de professores e estudantes e desenvolvimento de habilidades socioemocionais foram, inclusive, o contraponto à tanta tecnologia. Em sua palestra, a neuropsicóloga Adriana Fóz falou sobre a importância da mobilização de famílias, alunos e escola para a recuperação da saúde mental dos jovens. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e outros estudos trazem números preocupantes: 10% a 20% dos jovens sofrem de problemas de saúde mental e 50% dos transtornos mentais são manifestados quando o jovem está com 14 anos, ou seja, em idade escolar na educação básica. 

Já o psicoterapeuta Leo Fraiman, autor da Metodologia OPEE, parceira da FTD Educação, falou sobre Projeto de Vida, a importância de investir nos cuidados com a mente e o corpo e a responsabilidade de cada um nesse processo. “O modo como você se alimenta, se mexe, se relaciona, como pensa e como age no dia a dia é o que o que vai definir sua saúde física e mental. Saúde mental não é um golpe de sorte. Imagina que vida linda podemos ter se continuarmos a investir mais em higiene mental, aprender o perdão, formar amizade, aprender sobre resiliência e perseverança?”, ensinou Fraiman.

Para finalizar, gostaria de destacar o reconhecimento aos agentes que tracionam o ensino no país: os professores. O Prêmio Educador Transformador, divulgado durante o evento, reconheceu projetos desenvolvidos por professores de todo país em prol de uma educação transformadora. Entre os vencedores, destaco os projetos da professora Claúdia Janaina Carneiro, de Campina Grande, PB, e do professor João Carlos Pereira Braga, de Belford Roxo, RJ. Ambos tratam de assuntos urgentes: Agenda 2030 e sustentabilidade e gestão do lixo. Temas que são transformadores da educação e da sociedade. 

Escute nosso episódio de podcast:


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