Desafios da educação e como superá-los no pós-pandemia

Plano Nacional de Educação, novo Fundeb e Sistema de Avaliação são algumas das nossas políticas públicas bem-sucedidas que devem receber destaque

Quando pensamos na educação básica pós-pandemia (depois do longo período de escolas fechadas), sabemos que temos ainda mais desafios a superá-los, como os déficits de aprendizagens e saúde mental dos nossos estudantes e professores.

Ao longo dos anos, tivemos avanços importantes impulsionados por políticas públicas, as quais elenco a Base Nacional Comum Curricular, impulsionando o uso de tecnologias, habilidades socioemocionais e valores integrais para a formação dos estudantes. Tendo isso em vista, a reforma do novo ensino médio com o foco no projeto de vida dos estudantes e nos itinerários formativos passou a dar novos nortes para a educação e formação dos estudantes.


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As conquistas realizadas com o novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), aprovado no Congresso Federal em agosto de 2020, com a promulgação da Emenda Constitucional 108/2020, serviu como um mecanismo de redistribuição de recursos destinados à educação básica, por meio da valorização dos professores e o desenvolvimento e manutenção do funcionamento todas as etapas da educação básica – desde creches, pré-escola, educação infantil, ensino fundamental, ensino médio até a educação de jovens e adultos (EJA).

O Fundeb tem como objetivo reduzir a desigualdade de recursos entre as redes de ensino. E é muito importante, pois faz com que a diferença entre a rede que mais investe por aluno e a que menos investe caia consideravelmente.

Garantir o que está na lei

Recentemente, foi aprovado no Senado Federal o substitutivo ao projeto de lei complementar que institui o Sistema Nacional de Educação. Na tramitação, foram abordados pontos legais, normativos e técnicos que são fruto de um debate sobre o Sistema que ocorre há quase cem anos, com diferentes atores envolvidos. Hoje, sabemos o quão é necessária a instituição do Sistema Nacional de Educação, afinal, além das mudanças estruturais, o SNE é fundamental para que o Brasil se recupere dos danos causados pela pandemia na educação – ampliados pela atuação frágil Ministério da Educação nos últimos três anos.

Foto: Envato Elements

No entanto, com os dados trazidos pelo Anuário Brasileiro da Educação Básica de 2021, estima-se que 10 milhões de estudantes estudam em escolas com algum problema sério de estrutura, que vai desde a ausência de água potável à inexistência de internet, segundo levantamento do Instituto Rui Barbosa.

Outro estudo, dessa vez, publicado pelo Banco Mundial, alerta para o atraso na alfabetização e o impacto educacional que afetará os estudantes na vida adulta com diminuição de produtividade e perdas salariais.  

Por isso, precisamos priorizar as políticas públicas bem-sucedidas que representam um marco à sociedade, como o Plano Nacional de Educação, novo Fundeb, Sistema de Avaliação e priorizar investimentos, além de olhar com muito cuidado as propostas de pré-candidatos nas eleições e ver quais deles irão dar continuidades a políticas públicas que têm dado certo – é uma maneira de superar as dificuldades e tecer caminho de aprimoramento. 

Além do mais, não podemos esquecer que temos urgências a serem superadas com a evasão escolar e a adaptação do currículo a novos tempos para ofertar um ensino que não seja apenas de qualidade, mas com equidade a crianças e jovens.


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Conheça desafios da educação e maneiras de superá-los:

Alfabetização na idade certa

Os índices de alfabetização estão crescendo no país, mas o analfabetismo e o analfabetismo funcional são um grande desafio para a educação. É essencial ressaltar uma alfabetização de qualidade e que contemple a idade certa e que as dificuldades nesta etapa sejam sanadas com programas de recuperação das aprendizagens e incentivos de dois professores por sala. A cidade de Sobral no Ceará é uma referência quando o assunto é alfabetização e um modelo que pode dar certo.

Para superar esse desafio, é essencial que os professores regentes criem estratégias atrativas para os estudantes e acompanhem de perto sua vida escolar. Além disso, a equipe pedagógica deve ficar atenta aos estudantes com dificuldades de aprendizado durante essa etapa.

Infraestrutura

Dados do IBGE de 2019 apontam que 47% das escolas brasileiras não possuem saneamento básico, sem contar, área verde, quadras, laboratório de ciências, salas de leitura, internet, entre outros. Sabemos que a qualidade do ensino está diretamente ligada a infraestrutura e o ambiente de aprendizagem e isso acentua as desigualdades sociais.

Por isso é urgente o investimento em infraestrutura. Um bom exemplo disso é o programa da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo, o Programa Dinheiro Direto nas Escolas (PDDE Paulista), que descentralizou as verbas nas escolas e permitiu autonomia para melhoria de infraestrutura nas escolas.

Participação dos pais e da comunidade escolar

A comunidade escolar tem um papel muito importante na qualidade do ensino e todos podem se beneficiar desta parceria, a pandemia aproximou e este é o momento para aprofundar os laços.

Para isso, a escola pode criar projetos que integrem as famílias à escola e estimular a participação das pessoas, ensinando aos estudantes um senso de coletividade e convívio em sociedade, um exemplo disso, são projetos integradores que envolvam o território educativo, pode se promover uma festa cultural, uma atividade como um dia de autógrafo e ou até a mesmo a promoção de uma palestra com a participação da comunidade.

Outra maneira de participação são nos colegiados, como Conselho de Escola, reuniões de pais e mestres, elaborações do projeto político-pedagógico, entre outros.


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Valorização dos profissionais da educação

A valorização docente e a formação inicial e continuada são essenciais para a melhoria da qualidade educacional brasileira. Para isso, é necessário estruturar plano de carreira, em esfera federal para que os estados e municípios possam também respeitar e ter condições de ofertar boas carreiras aos professores.

Além disso, é necessário o investimento em carreira e formação inicial e continuada dos profissionais da educação. Não podemos deixar nenhum ator da educação para trás, se falamos em equidade ela tem que servir para a carreira do magistério como um todo.

Uso de novas abordagens de ensino e tecnologia e inovação

A adoção essencial de novas abordagens de ensino que já dialogamos em outros textos, como metodologias ativas, ensino híbrido, STEAM(acrônimo em língua inglesa para “science, technology, engineering, mathematics, arts“, que representa um sistema de aprendizado científico, o qual agrupa disciplinas educacionais em “ciência, tecnologia, engenharia, matemática e artes”) e inserir tecnologia nas práticas educacionais através da cultura digital e pensamento computacional, são formas de motivar os estudantes e engajá-los a desenvolver novas habilidades e competências que transitam entre cognição, habilidades socioemocionais, mas também em uma educação integral.

A tecnologia tem que ser vista como uma propulsora ao processo de ensino e aprendizagem e contribuir para a inovação e criatividade, além de um aprendizado personalizado que respeita os diferentes ritmos de aprendizado ao oferecer várias ferramentas que contribuem para o ensino.

É urgente que priorizemos a educação. Precisamos trazer ela para o centro de debates da sociedade. Sabemos das dificuldades, o que precisamos é colocar mão na massa para superar os desafios.

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