Acolhimento, a palavra de 2021

Fechamentos de ano sempre nos inspiram a planejar o próximo exercício a partir de um balanço do que foi o atual. Prestes a completar dois anos de pandemia da covid-19, que impactou o setor de educação de uma forma inimaginável com o fechamento de escolas por mais de 13 meses seguidos, no caso das privadas, e por um período bem maior, nas públicas, a palavra de ordem é superação. Superação de obstáculos, superação dos próprios limites, superação de perdas e tantas outras.

Enquanto escrevo esse texto, recebo em um dos muitos grupos de WhatsApp dos quais participo um vídeo do Google com as palavras mais buscadas no mundo em 2022 e confesso que fiquei tocado com o que vi. As expressões como curar, como honrar alguém, como cuidar da saúde mental, como se manter forte, como ser resiliente, como retornar, como ser você mesmo, qual é meu propósito, como prosseguir, como usar a minha voz e formas de ajudar a sua comunidade encabeçam a lista e formavam a narrativa entrecortadas por vídeos curtos de pessoas de todo o mundo com declarações emotivas expressando essas buscas.

Leia: O papel da escola para além do conteúdo

Foto: Freepik

Eternos reinventores

2021 termina muito melhor do que começou do ponto de vista do combate à covid sob a ótica de quem reside no Brasil, e com as escolas de ensino infantil e fundamental abertas. A alta taxa de adesão às vacinas está no centro dessa melhoria de cenário e, embora haja ameaças de novas variantes com as quais vamos ter que conviver por um bom tempo, fica evidente o papel da educação nessa construção coletiva. Temos um histórico de quase cinco décadas de programas educativos de vacinação que forjou gerações de brasileiros sobre a importância desse instrumento científico para superarmos epidemias e doenças graves.

As palavras e expressões mais buscadas pelas pessoas no Google e o avanço da vacinação contra a covid no Brasil me levam a pensar que nossa busca por estarmos bem e fazermos a diferença são duas grandes habilidades humanas que começam desde cedo nas nossas vidas. E a educação é a grande chave para essa formação.

Como diz Paulo Freire, em tempos de corpos distanciados, é necessário reinventar maneiras de viver. E a educação para a vida sempre assim se fez, se refazendo, transbordando espaços, tempos e conteúdos para além dos muros da escola.

Leia: Três lições da pandemia para a educação

Considerar a si e ao outro

Ainda estamos absorvendo os reflexos que um tempo tão longo de fechamento das escolas poderá causar em gerações de crianças e jovens não só na aprendizagem, mas especialmente, na socialização e criação de vínculos. Sem contar com o acirramento das desigualdades em um país continental como o Brasil e o impacto deste período sobre os professores, que foram o principal ponto de contato entre estudantes e famílias, sob condições frequentemente adversas.

No processo de cura coletiva que estamos vivendo como sociedade se faz necessário pensar a escola não apenas como um local de transmissão de conhecimento, mas também de aprendizagem no sentido de viver em uma sociedade maior do que a própria família.

E este espaço foi literalmente perdido por um tempo muito maior do que podíamos supor. Neste contexto de readaptação a uma realidade transformada, a palavra de 2021 mais importante para mim é acolhimento: dos alunos, dos professores, das famílias e de todos na comunidade escolar.

acolhimento 2021
Ricardo Tavares é diretor-geral da FTD Educação

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