Estudantes criam sistema de energia sustentável

Voltado a ribeirinhos da Amazônia, projeto é de três jovens da Etec Bento Quirino, Campinas, e está em fase de se tornar comerciável

Alunos do ensino médio desenvolveram uma fonte de energia sustentável e baixo custo baseada no potencial hidrográfico da região amazônica. A iniciativa, voltada aos ribeirinhos de Rondônia, faz parte do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de três jovens do curso técnico de eletrônica da Escola Técnica Estadual (Etec) Bento Quirino, de Campinas, SP: Brenno de Oliveira, Gabriel Serrano e Vinicius Motta, sob orientação dos professores Regina Kawakami e Marcos Almeida.

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energia sustentável

Brenno de Oliveira, Gabriel Serrano e Vinicius Motta

O professor da disciplina de TCC, Marcelus Guirardello, explica que o objetivo foi apresentar um sistema de geração de energia aproveitando o grande volume de água dos rios caudalosos que fazem parte do bioma amazônico. “O projeto estimulou o grupo a pensar em soluções para problemas reais e envolveu conceitos importantes para o aprendizado técnico como geração de eletricidade, física e mecânica de fluidos.”

A saber, na primeira fase do TCC foram feitas pesquisa bibliográfica e entrevistas com moradores da região que não estão integrados ao sistema de geração e transmissão de energia elétrica (Sistema Interligado Nacional – SIN). A segunda fase do trabalho se concentrou nos estudos para viabilização do protótipo de um kit para montagem da microusina.

Direito negligenciado

energia amazônia

Fonte: Iema/2019

Segundo dados levantados pelos alunos da Etec Bento Quirino junto ao Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), cerca de 2,5 milhões de moradores da região amazônica não estão integrados ao SIN.

Desse grupo de excluídos, 1 milhão vive completamente no escuro, enquanto 1,5 milhão é abastecido por sistemas comunitários de produção de energia, mas de baixa capacidade de geração e altamente poluentes porque funcionam à base de combustíveis fósseis, como o diesel.

Energia sustentável comerciável

Os alunos concluíram o curso técnico de eletrônica em 2020 e continuam trabalhando, sobretudo, no aperfeiçoamento do projeto de microusina. Segundo Vinicius Motta, o foco agora é aperfeiçoar o kit para torná-lo viável comercialmente. “Estimamos que o equipamento tenha um custo aproximado de R$ 800, mas continuamos pesquisando formas para reduzir ainda mais esse custo.”

Entre as possibilidades para baratear o preço, os alunos apostam, por exemplo, na produção do gerador de energia em impressora 3D. Mais uma solução sustentável dos estudantes que pode melhorar a vida dos ribeirinhos e do planeta.

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