O primeiro ano a gente nunca esquece

Ricardo Tavares tem mais de 20 anos de experiência no segmento editorial e relata como ele e sua equipe lidaram com a pandemia. O poder da educação na transformação da sociedade também é reforçado

Temos, durante a vida, várias “primeiras vezes” e vários “primeiros anos”. Primeiro ano de escola, primeiro ano de universidade, primeiro ano de casamento, primeiro ano de gestor e até primeiro ano de CEO. Em janeiro de 2020, assumi a direção-geral da FTD Educação, uma das unidades de negócios do Grupo Marista.

Vencidos 26 anos atuando na educação básica, 24 deles em três casas editoriais, a oportunidade foi lançada e com ela um enorme desafio. Bastante animado, com muitas ideias e reorganizando um forte time, veio um episódio adicional: a pandemia. Iniciava-se então um avassalador processo de mudança de comportamento, não só do negócio, como também das escolas e de toda a sociedade.

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Foto Merri J/ Unsplash

Pandemia

A transformação digital já era pauta na FTD Educação e estávamos, após o apoio de importantes consultorias especializadas, em intenso trabalho e com várias frentes de implantação para viabilizar essa transformação. Mas, a sensação foi como se estivéssemos a 100 Km/h e foi dada autorização para irmos a 200 Km/h. Felizmente, tínhamos motor para dar conta dessa forte aceleração.

Porém, não basta ter um excelente carro, é preciso saber pilotar bem e, mais do que isso, é fundamental ter uma ótima equipe. Nenhum piloto vence sozinho. Assim, mesmo diante dos comuns aspectos inerentes ao primeiro ano de qualquer nova experiência, como reconhecimento do ambiente, organização e vínculos de confiança, precisávamos responder rapidamente aos anseios dos clientes e do próprio time que, agora mais do que nunca, esperava sinais de como seria a corrida neste novo circuito. 

Creio que nessas horas fizemos valer do combustível que juntamos durante os anos — como na grande expectativa das dez jovens pela chegada do noivo, narrada no capítulo 25 do Evangelho de Mateus, somente entram para a festa aquelas que guardaram azeite em suas lamparinas. Mesmo diante do desconhecido, tínhamos princípios e valores bem consolidados, e lançamos mão, entre outros, de um dos principais deles: espírito de família.

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A sonhada resiliência

Assim, intensamente, com muita coragem e um legítimo propósito à frente, fomos também nos adaptando à pista de corrida; derrubando muros e construindo pontes, especialmente entre as áreas, fornecedores parceiros e clientes; pautados na transparência; e com os objetivos muito claros, avançamos. Acredito que toda comunidade escolar da qual fazemos parte venceu. 

Sem ser ingênuo, alguns ficaram pelo caminho e terão que recomeçar. Entendo que foi o primeiro ano de um mundo novo e com ele, temos agora, também inúmeras oportunidades, que poderão ser exploradas em um outro cenário com novas configurações, muitas delas irreversíveis. 

Se você está lendo este artigo é porque se interessa por educação. Ela tem o poder de transformar a sociedade, seja em seu bairro, um país inteiro ou toda a humanidade.  Esteja você na posição que estiver, você faz a diferença.

Assim, o principal convite que faço ao dividir aqui alguns dos tantos aprendizados deste “primeiro ano” é: recomece com fé, tenha objetivos claros. Confiança se constrói por relacionamentos e, acima de tudo, equipe é tudo.

*Ricardo Tavares é diretor-geral da FTD Educação

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