Com a pandemia, avaliação formativa se destaca no dia a dia escolar

Diretor pedagógico da Escola Viva reflete sobre as abordagens de ensino e cita a “autoavaliação compartilhada” como alternativa de acompanhamento do ensino não presencial e híbrido

A pandemia fez a maioria das escolas mergulharem no meio virtual, gerando novas possibilidades e necessidades, como a avaliação formativa, que se difere da tradicional classificatória. A formativa tem como objetivo levantar informações a respeito do percurso de aprendizagem e orientar a atuação de professores e professoras para lidar com eventuais dificuldades que alunos e alunas tenham no caminho.

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De acordo com Francisco Ferreira, diretor pedagógico da Escola Viva, SP, a equipe pedagógica não deve excluir os formatos anteriores, mas utilizar-se de soluções variadas para avaliar o desempenho. “Trabalhos individuais, provas, produção textual, apresentação de seminário e performance oral são instrumentos e cada um deles está avaliando competências diferentes do estudante”, explica.

Individualização do aprendizado e autonomia do estudante

A não presença na sala de aula faz com que os professores tenham que se voltar ainda mais para a individualidade e engajamento de cada aluno. O ensino remoto também exige uma maior autonomia por parte dos estudantes, uma vez que o ambiente presencial propicia um maior contorno e controle sobre as atividades do dia a dia.

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Na Escola Viva, as demandas associadas à individualização de percursos e à construção da autonomia culminaram em um processo chamado “autoavaliação compartilhada”. O diretor explica como isso acontece com os alunos do fundamental: “imagine que você tem cinco objetivos de aprendizagem na área de matemática. O estudante é convidado a atribuir uma nota de zero a 10 para o seu desempenho em cada um deles e o professor faz a mesma coisa; em seguida, há uma conversa para se chegar a uma visão compartilhada do desempenho do aluno.”

Já no ensino médio, a autoavaliação é realizada de forma diferente, a partir de produções textuais em que os alunos retomam conceitos trabalhados e, simultaneamente, refletem sobre a sua trajetória de aprendizado.

Para Francisco, assim como no presencial, o virtual deve envolver o estudante no processo, fazer com que ele seja um participante ativo. O legado da pandemia para as escolas será pensar em ambientes de ensino e formatos de acompanhamento diversificados.

“A escola não é o único lugar onde se constrói o conhecimento, mas ela passa a ser um elemento integrador desse processo e é essa noção que se intensificou nos últimos meses e continuará no futuro”, conclui.

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