Coalização global propõe ações gratuitas para apoiar alunos na aprendizagem a distância

Iniciativa visa auxiliar países a garantir que crianças e jovens em maior risco tenham chances de acesso às melhores práticas de ensino

Em recente mensagem, o pesquisador português António Nóvoa, embaixador permanente de Portugal na UNESCO, lembrou a todos os professores que é tempo de acreditar no conhecimento e na ciência. É hora de pensar no futuro da educação – que não será mais a mesma após a pandemia. É momento também de agirmos na urgência e em solidariedade, em defesa de um bem comum da humanidade: a educação.

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Apostar no conhecimento, na ciência, e na formação de novas gerações mais conscientes de seu papel planetário, como cidadãos de uma mesma casa, é o caminho possível para enfrentar cenários que se tornam desafios globais crescentes. São muitos os exemplos. Não podemos esquecer da mudança climática, do acirramento das desigualdades, da questão dos refugiados. Estamos sendo desafiados a agir na urgência, como diz Nóvoa, com os olhos no futuro.

E é isso o que precisamos fazer, os educadores. Contra a imobilidade do pânico, temos visto por todo o planeta escolas e professores protagonistas. A tecnologia ajuda? Sim, é essencial. Mas precisa ser para todos. Enquanto vemos crianças e jovens mais ricos usufruírem dos recursos da educação a distância, temos uma maioria de alunos que não tem acesso a esses recursos e precisa de apoio, como é o caso do Brasil.

Conforme o monitoramento da UNESCO, cerca de 150 países já fecharam escolas em todo o mundo, provocando impacto em mais de 80% da população estudantil. A crise da covid-19 é também uma crise da educação, em todo o planeta.

coalização global educação

Foto: Shutterstock

Por isso, a UNESCO propôs a Coalizão Global de Educação, lançando ações para apoiar os países e garantir que crianças e jovens em maior risco tenham chances de acesso às melhores práticas de aprendizagem a distância. Unindo parceiros e recursos de governos e da iniciativa privada, a Coalizão atenderá às necessidades dos países, conforme previsto em reuniões de ministros da Educação convocadas pela UNESCO.

A Coalizão se esforçará para atender às necessidades com soluções gratuitas e seguras, unindo parceiros para tratar dos desafios da conectividade e dos conteúdos. Irá fornecer ferramentas digitais e soluções de gestão*.

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A saber, como uma rede de escolas associadas e candidatas, que cruza o país unindo grandes centros urbanos aos rincões mais distantes, a Rede das escolas associadas da UNESCO no Brasil assume o compromisso de fazer chegar informações e suporte para escolas e famílias.

Devemos nos empenhar em trocar experiências, em compartilhar recursos, em apoiar governos e organizações da sociedade civil a democratizar os melhores recursos da tecnologia para que a educação chegue a todos, em um momento em que há mais de 1,5 bilhão de alunos sem escola.

É tempo de começarmos a pensar em um novo modelo de educação do século 21, com novos métodos, saberes e, sobretudo, uma nova ética – mais solidária, inclusiva e baseada na justiça social. Aliás, os desafios e impactos trazidos pela covid-19 estão postos e são urgentes. Sendo assim, o nosso legado ao vencermos esse desafio é a lição que deixaremos para as futuras gerações.

Para saber mais, acesse: https://pt.unesco.org/covid19/globaleducationcoalition.

Myriam Tricate é educadora e coordenadora do Programa das Escolas Associadas da UNESCO no Brasil.

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