COLUNISTAS:

Colunista

João Jonas Veiga Sobral

É professor de Língua Portuguesa e orientador educacional

Publicado em 28/08/2019

Diálogos durante uma orientação educacional

Coluna do professor João Jonas Veiga Sobral aborda o questionamento de um pai sobre as notas baixas do filho durante uma orientação educacional

Um pai preocupado com as notas baixas de um filho do 3º ano do ensino médio, diagnosticado com transtorno de ansiedade, procura a Orientação para conversar.

— Bom dia, marquei a reunião porque eu e minha esposa estamos preocupados demais com a situação de nosso filho neste trimestre. Ele ficou em duas recuperações e não conseguiu passar em nenhuma delas. Pagamos aulas particulares e mesmo assim ele não recuperou. Estamos muito tensos em casa.

— Entendo a preocupação. Neste “Estamos muito tensos em casa”, vocês incluem o Leonardo?


Leia: A elegância indiscreta dos eufemismos


— Agora que já saíram as notas, ele está mais tranquilo ou conformado. Mas eu e, principalmente, minha esposa estamos muito nervosos. Estamos receosos de que ele não aprove neste ano.

— Creio que não seja o caso. Leonardo não estudou muito neste início de ano. Os professores consideraram-no apático, praticamente não fez as lições em física e matemática e não frequentou as aulas de reforço nessas disciplinas. Mal tirou dúvidas em classe e perdeu algumas aulas porque não trazia consigo o material adequado.

— Ele ficou muito nervoso antes das provas e acabou se desorganizando. Leonardo, como vocês sabem, é ansioso demais.

— Sim, mas talvez, por ser ansioso, ele deveria canalizar a ansiedade na preparação antecipada para as aulas, talvez ficasse mais calmo quando fizesse as provas, porque mais bem preparado para elas. Organização e preparação prévia são um bom antídoto para nervosismo.

—  Ele diz que o professor de física é muito rígido na correção das provas.

— Rígido ou rigoroso?

— Tanto faz. Há diferença?

— Sim, creio que sim. A rigidez sugere falta de flexibilidade. Já o rigor está atrelado a atenção aos critérios estipulados.

— Ele alega que só porque se esqueceu da unidade de medida na resposta da prova o professor desconsiderou o resultado e descontou parte da questão. Com isso ele não conseguiu recuperar a nota por completo.

— Parece-me que Leonardo obteve cinco em física e necessitava de sete para recuperar. Houve desconto total de 0,7 por esquecimento das unidades de medida em uma prova que pedia para ele exatamente qual seria a unidade de medida a ser verificada. Creio que neste caso houve mais rigor do que rigidez. Afinal, o professor flexibilizou e pontuou que estava certo, mas descontou o que era imprescindível.

— Entendo. Mas se não descontasse…

— (Leonardo chegando para reunião) Olá, Leonardo, sente-se, por favor. Querido, explique-me uma coisa. Você está muito nervoso com sua não aprovação no primeiro trimestre?

— Estou mais chateado, porque deveria ter estudado mais.

— E por que não estudou? No entanto, você conseguiu seis em Matemática e cinco em Física na recuperação. Se houvesse obtido essas notas no primeiro trimestre teria aprovado, não? O que houve neste período de recuperação de diferente?

— No primeiro trimestre não me dediquei muito aos estudos. Praticamente ficava em casa jogando videogame ou saía com os amigos. Na recuperação eu me esforcei mais.

— E enquanto não estudava, não ficava nervoso? Só quando chegavam as provas?

— Sim, vacilei mesmo.

— Vi que obteve sete em geografia, oito em história e seis em língua portuguesa. Você fica nervoso quando há provas dessas disciplinas?

— Não, não fico. Gosto delas. Anoto tudo e entendo bem.

— Vi que suas menções são boas nelas e não deixou de entregar atividades, lições e sempre trouxe o material. Mas em matemática e física já não acontece o mesmo.

— No segundo trimestre vou estudar mais, fazer as lições e me preparar melhor para as provas. Vou conseguir recuperar, já que agora só necessito de seis.

— Isso mesmo, Leonardo. E mostre à sua mãe e ao seu pai como você vai se organizar e recuperar essas notas. Assim você os acalma e também se acalma. Transforme sua ansiedade em prevenção. Se precisar de orientações para estratégias de estudos e para aplacar a ansiedade, conte comigo.

— Obrigado, farei isso.

Leia também:

MEC anuncia Enem com versão digital para 2020

História do Brasil: da infância à maturidade


Leia mais

filhos

Chega de adulação e descaso com os filhos

+ Mais Informações
educação emancipadora

Por uma educação emancipadora

+ Mais Informações
juventude

Brasil enaltece juventude, mas a abandona à própria sorte

+ Mais Informações
etnomatemática

Como vivenciar a matemática

+ Mais Informações

Mapa do Site