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Um espaço para o pensamento

Em nova obra, Larrosa reivindica a vida como experiência e como uma oportunidade

Publicado em 30/01/2015

por Redacao

Tremores: escritos sobre experiência, de Jorge Larrosa (Autêntica, 176 págs., R$ 39)

No livro Tremores, ressoam experiências que nos fazem tremer. Tremores. Cantos. Protestos. Rebeldias. Ecos. Ressonâncias. Sentidos provocados pelas palavras. Interrupções. Traduções. Apropriações.

Nas páginas iniciais, encontramos as implicações das palavras: experiência(s), escrita(s) e sentido(s). Para Larrosa, a experiência é o que dá sentido à escrita. É a possibilidade de transformar o que somos compartilhando a voz da experiência e não somente às formas que configuram a ordem do discurso pedagógico.

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Nos capítulos que seguem, gestos de experiências resistem a outras formas de dizer; há a tensão entre o modelo dominante de linguagem que regulamenta o ‘como’ escrever no campo educacional – e que acaba invisibilizando quem escreve, o sujeito – e os discursos de verdade que se sobrepõem ao provisório, legitimando o universal. Eis o embate entre a vida pulsante, singular e subjetiva e o discurso universal, gélido e conformador.

O autor reivindica a vida como experiência. Traz a discussão sobre o homem expropriado de sua experiência, que não sabe o que acontece, não compreende o que acontece e não encontra sentido no vivido. Emudecido. Tenta (re)compor a sua voz, (re)conhecer a sua imagem e (re)conectar a vida e a experiência. Ensaiar o pensar, ler e escrever para além do já sabido.

Os movimentos contidos nesse livro são tecidos para fazer a palavra experiência ressoar. Interrogam sujeitos, saberes e fazeres. Lançam suspeitas. Colocam em evidência relações de alteridade, potencializando as experiências de vida. A vida como um espaço para o pensamento. Possibilidades de pensar o que não se sabe. Talvez. Encontrar os sons da vida. Há o convite para que outros cantos de experiências possam ser criados, variações melódicas ensaiadas e notas, ritmos e arranjos ouvidos. Habitar uma língua mais insegura, balbuciante, musical.

Encontramos nos textos a experiência da atenção, escuta, abertura, disponibilidade, sensibilidade… entre outras. A experiência exige linguagens transbordantes de paixão. Na generosidade da experiência estética da escrita, na provocação de sentidos, na potência das entrelinhas nos defrontamos com a fragilidade, vulnerabilidade e ignorância da própria vida. É mais um convite à leitura, experiências, e nascimentos.

 

Cristiana Callai é doutora em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e professora adjunta no curso de pedagogia da UFF

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