NOTÍCIA

Academia Líderes de Educação

Autor

Rubem Barros

Publicado em 10/02/2026

O mergulho empreendedor por trás do Colégio Arena

Após romper com um ambiente conservador, novo colégio hoje está entre os cinco melhores de Goiânia

Um ambiente que se tornou conservador, com um tempero extra de machismo camuflado funcionou como propulsor para a criação de um novo colégio que hoje está entre os cinco melhores de Goiânia, segundo o Enem. Henrique Oliveira, professor de geografia e hoje sócio e diretor administrativo-financeiro do Colégio Arena, se viu numa situação em que a curva descensional da instituição que dirigia o deixou diante de duas alternativas.

Ele era diretor de uma escola tradicional da cidade, onde havia entrado 20 anos antes, sendo que nos últimos dez passara à gestão, sem abrir mão de estar presente em sala de aula. Num dado momento, os donos começaram a ficar mais velhos e menos afeitos à inovação, mesmo em um cenário em que só se ouvia falar de disrupção, novas tecnologias e geração Z, terminologias acompanhadas de profundas mudanças comportamentais dentro e fora das escolas.

Leia: Formar professores para a sustentabilidade é um ato de coragem

Mais ligado à então diretora administrativo-financeira da instituição, a única sócia mulher e aquela com desejo de promover mudanças obstruídas pelos parceiros, ouviu dela após saber da decisão de vender a instituição: “você tem duas opções, ou continua aqui e vê quais são rumos os novos donos vão dar à escola, ou faz o que sempre quis e parte para o seu próprio empreendimento”.

Membro de uma família com tradição empreendedora, Oliveira não teve dúvida. Em dezembro de 2016, em meio a uma das piores recessões pelas quais passou o Brasil, juntou-se a seus colegas Samuel Araújo, o argentino, professor de matemática, e Wendell Sullyvan, docente de redação, e abriram um curso pré-vestibular. Dois anos depois, o Arena se tornava uma escola de ensino médio; mais outras seis temporadas e inaugurava classes da educação infantil ao 9º ano do ensino fundamental. Hoje, o Colégio Arena, localizado no Setor Bueno, um dos bairros mais valorizados de Goiânia, está perto de chegar aos 4 mil alunos.

 

Uma escola para todos

“Queríamos uma escola preparada para receber todo tipo de aluno, com desempenho médio, alto ou baixo. Projetamos fazer uma escola equilibrada, que fosse uma alternativa para todo tipo de estudante; que pela manhã todo mundo ficasse misturado e à tarde que cada um fizesse as trilhas condizentes com seu desejo. Desde quando abrimos, sentimos que os alunos têm crescido conosco a partir de uma visão humanizada”, conta Henrique Oliveira.

As trilhas estão disponíveis já no ensino fundamental e, obviamente, também para estudantes do ensino médio. Entre as disponíveis, o gestor cita a de preparação para Olimpíadas (de todas as áreas possíveis), plantões de dúvidas (todas as disciplinas) e o AEE (Atendimento Educacional Especializado), que não se restringe aos alunos de processos de inclusão, mas ao enfrentamento de todo tipo de dificuldade que os discentes possam ter. O foco principal é a aprendizagem.

O colégio não esconde seu objetivo – e orgulho – de propiciar aos estudantes o acesso a boas universidades, no Brasil e no mundo. “Um aluno nota 6 ou 7 no Arena só não disputa vaga para medicina ou para as engenharias mais concorridas. A escola é exigente, mas vai fazendo um resgate das pessoas. Entendemos de processos seletivos, de alunos e de como falar com as famílias. Ajudamos os pais em suas decisões”, conta Oliveira.

No total, a equipe tem 15 coordenadores, compreendidos aí os três mantenedores, e cerca de 200 professores. São três unidades que acomodam seis prédios, quatro próprios, dois alugados.

 

Dinheiro próprio

Do ponto de vista financeiro, a escola busca autofinanciar sua expansão. Os três sócios começaram fazendo aportes com suas economias e financiamentos bancários. “Nós nunca realizamos um negócio pensando em menos de 10 anos. Sabemos que o crescimento está ligado a investimentos, não investir significa crescer pouco”, diz Oliveira, que se vale de conhecimentos nas áreas de processamento e análise de dados e desenvolvimento agrário, esta última em que se tornou mestre.

Conjugando visão e conhecimentos, o trio não precisou contratar ninguém para desenvolver suas estratégias de negócios. Mas nunca abriu mão de intercâmbios diversos, seja visitando um grande número de instituições no Brasil e no exterior, seja se aproximando de colégios já mais maturados. Segundo Oliveira, os gestores mantêm contato com seus pares de escolas como o Bandeirantes, em São Paulo e participa de um grupo que reúne educadores de várias escolas, o Devir, que realiza dois encontros mensais, um presencial e outro por vídeo.

É um caminho para se manter atualizado em tendências e demandas que vão surgindo no universo da educação. No ano passado, o grupo passou 15 dias no Japão visitando escolas, quando constataram uma mudança gradual de visão no país. Conhecida por uma tradição de rigor, a cultura educacional japonesa, segundo Oliveira, tem apostado num modelo próximo ao inglês, mais voltado a um cuidado individualizado das pessoas. “Os japoneses abraçaram essa causa”.

Leia também: Professora mais influente do mundo é brasileira

A experiência no exterior é importante também para os alunos. O professor Samuel Araújo, o Argentino, “gosta de enviar alunos para o exterior em função de seu desempenho”. Um desses estudantes entrou no Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia) e hoje está cursando o doutorado em Harvard.

E, como não poderia deixar de ser para uma escola localizada em uma das capitais do Centro-Oeste brasileiro, as visitas ao mundo do agronegócio também são frequentes. Aliás, o agronegócio é uma das disciplinas eletivas do ensino médio. Outras são direito, relações internacionais e matemática financeira. Elas correspondem às principais aspirações de carreira dos estudantes.

O Arena é membro do College Board, entidade americana que reúne quase seis mil escolas e organiza os testes de admissão para a rede de ensino do país. A escola goiana é também uma entidade autorizada a aplicar os testes do SAT (Scholastic Aptitude Test), prova utilizada para ingresso em escolas americanas, canadenses e em alguns países da Europa. A escola tem um tíquete médio de R$ 3 mil. No Ensino Médio, o valor se aproxima de R$ 4 mil.

Este artigo foi originalmente publicado na Academia Líderes de Educação, iniciativa exclusiva e gratuita da revista Educação para fortalecer a liderança escolar e impulsionar transformações na gestão educacional. Saiba como se tornar membro.

——

Revista Educação: referência há mais de 30 anos em reportagens jornalísticas e artigos exclusivos para profissionais da educação básica


Leia Academia Líderes de Educação

Colégio Arena

O mergulho empreendedor por trás do Colégio Arena

+ Mais Informações
Vestibular

Vestibular: o que fazer se o resultado não foi o esperado?

+ Mais Informações

Escola fast-food x escola bistrô

+ Mais Informações

Maya Eigenmann: é preciso mudar a forma como enxergamos a infância

+ Mais Informações

Mapa do Site