NOTÍCIA

Olhar pedagógico

Autor

Redação revista Educação

Publicado em 16/03/2026

Estudantes de São Paulo querem escolas com mais conversas sobre sentimentos e futuro

Levantamento com cerca de 310 mil crianças e jovens dos anos finais aponta também preferência por experiências ‘mão na massa’, práticas esportivas e maior conexão com a vida fora da sala de aula

Estudantes do 6º a 9º ano do ensino fundamental no estado de São Paulo elegeram as aulas práticas, com projetos e atividades ‘mão na massa’ como a principal característica da escola que desejam. O percentual de 46% é o mesmo entre os de 6º e 7º anos e os de 8º e 9º anos, configurando-se como um item que atinge quase metade dos cerca de 310 mil participantes ouvidos em todo o levantamento, das redes estadual e municipais.

Os dados são parte da pesquisa realizada pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com Itaú Social, Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação) e Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação).

“As vozes dos adolescentes de São Paulo são um chamado para construirmos escolas que respondam às suas necessidades e aspirações. Esses resultados nos mostram que, ao ouvirmos, podemos criar políticas educacionais mais conectadas a essa fase do desenvolvimento humano e à realidade local”, diz Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social.

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O que a escola representa

Os estudantes de 6º e 7º anos valorizam mais o aspecto relacional: 83% afirmam ter amigos ou amigas com quem gostam de estar e 73% dizem ter pelo menos um adulto em quem confiam. Já no 8º e 9º anos esses percentuais caem para 82% e 64%, respectivamente, enquanto o foco no aprendizado acadêmico aparece com 58% declarando que aumentam os conhecimentos sobre as disciplinas.

A sensação de participação nas decisões do dia a dia da escola é apontada por 65% dos mais novos, mas não entra entre os três principais indicadores dos mais velhos.

estudantes de São Paulo

Dados fazem parte do Relatório Nacional da Semana da Escuta das Adolescências (foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

Conteúdos que ajudam a se desenvolver mais para a vida

As disciplinas tradicionais, como Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza, lideram em ambas as faixas, porém com queda de 47% (6º e 7º anos) para 39% (8º e 9º anos). Esportes e bem-estar mantêm posição forte: 41% entre os mais novos e 38% entre os mais velhos.

Artes e cultura aparecem com 28% no 6º e 7º anos, mas deixam de ser prioridade no segmento seguinte, dando lugar a autoconhecimento, autocuidado e saúde mental, que alcançam 33% entre os estudantes de 8º e 9º anos.

Atividades indispensáveis segundo os estudantes

Aulas práticas, com projetos e ‘mão na massa’ são o item mais desejado em São Paulo, empatando em 46% nas duas faixas etárias — o único indicador que não registra variação. Práticas esportivas seguem atrás, com 42% (6º e 7º) e 41% (8º e 9º). Atividades com tecnologia e mídias digitais diminuem de 30% para 25% entre os grupos.

Já conversas ou trocas sobre sentimentos, interesses, sonhos e objetivos mantêm 30% no 6º e 7º anos, mas reduzem para 27% no 8º e 9º, enquanto as atividades de preparação profissional surgem com 25% exclusivamente entre os mais velhos.

A preferência por fazer visitas, passeios e trabalhos fora da escola cresce de 39% (6º e 7º anos) para 46% (8º e 9º anos), configurando-se como a maior diferença entre as faixas. Trabalhos em grupo caem de 35% para 30%, enquanto feiras e exposições na escola permanecem estáveis em 24% em ambos os segmentos.

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Como melhorar a convivência na escola

Jogos, competições e olimpíadas são a principal sugestão em todos os grupos, com leve aumento de 46% (6º e 7º anos) para 47% (8º e 9º anos). Atividades que falem sobre bullying, racismo e prevenção de violências aparecem com 33% entre os mais novos e 29% entre os mais velhos.

A garantia da segurança nos espaços da escola e entorno é um item que cai de 32% para 29%. Entre os estudantes de 8º e 9º anos surgem duas novas demandas relevantes, como melhorar os espaços da escola para convivência (34%) e ter uma pessoa conselheira para procurar quando precisarem (29%).

Sobre o relatório que ouviu estudantes

A pesquisa com dados do estado de São Paulo faz parte do Relatório Nacional da Semana da Escuta das Adolescências, que traz as percepções dos estudantes sobre suas identidades, diversidades e obstáculos à participação, estimulando gestores, professores e comunidades a promoverem escolas mais inclusivas e transformadoras.

No contexto nacional, a iniciativa ouviu mais de 2,3 milhões de estudantes das redes estaduais e municipais, marcando um passo importante na elaboração de uma política pública voltada especialmente para os anos finais do ensino fundamental. Os dados reforçam a necessidade de escolas que dialoguem com as experiências e expectativas dos alunos, promovendo uma educação mais prática, participativa e conectada à vida cotidiana.

Mais informações e os detalhes completos do relatório podem ser acessados em: https://semanadaescuta.org.br/resultados/estados

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