NOTÍCIA
Levantamento com cerca de 310 mil crianças e jovens dos anos finais aponta também preferência por experiências ‘mão na massa’, práticas esportivas e maior conexão com a vida fora da sala de aula
Estudantes do 6º a 9º ano do ensino fundamental no estado de São Paulo elegeram as aulas práticas, com projetos e atividades ‘mão na massa’ como a principal característica da escola que desejam. O percentual de 46% é o mesmo entre os de 6º e 7º anos e os de 8º e 9º anos, configurando-se como um item que atinge quase metade dos cerca de 310 mil participantes ouvidos em todo o levantamento, das redes estadual e municipais.
Os dados são parte da pesquisa realizada pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com Itaú Social, Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação) e Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação).
“As vozes dos adolescentes de São Paulo são um chamado para construirmos escolas que respondam às suas necessidades e aspirações. Esses resultados nos mostram que, ao ouvirmos, podemos criar políticas educacionais mais conectadas a essa fase do desenvolvimento humano e à realidade local”, diz Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social.
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Os estudantes de 6º e 7º anos valorizam mais o aspecto relacional: 83% afirmam ter amigos ou amigas com quem gostam de estar e 73% dizem ter pelo menos um adulto em quem confiam. Já no 8º e 9º anos esses percentuais caem para 82% e 64%, respectivamente, enquanto o foco no aprendizado acadêmico aparece com 58% declarando que aumentam os conhecimentos sobre as disciplinas.
A sensação de participação nas decisões do dia a dia da escola é apontada por 65% dos mais novos, mas não entra entre os três principais indicadores dos mais velhos.

Dados fazem parte do Relatório Nacional da Semana da Escuta das Adolescências (foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)
As disciplinas tradicionais, como Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza, lideram em ambas as faixas, porém com queda de 47% (6º e 7º anos) para 39% (8º e 9º anos). Esportes e bem-estar mantêm posição forte: 41% entre os mais novos e 38% entre os mais velhos.
Artes e cultura aparecem com 28% no 6º e 7º anos, mas deixam de ser prioridade no segmento seguinte, dando lugar a autoconhecimento, autocuidado e saúde mental, que alcançam 33% entre os estudantes de 8º e 9º anos.
Aulas práticas, com projetos e ‘mão na massa’ são o item mais desejado em São Paulo, empatando em 46% nas duas faixas etárias — o único indicador que não registra variação. Práticas esportivas seguem atrás, com 42% (6º e 7º) e 41% (8º e 9º). Atividades com tecnologia e mídias digitais diminuem de 30% para 25% entre os grupos.
Já conversas ou trocas sobre sentimentos, interesses, sonhos e objetivos mantêm 30% no 6º e 7º anos, mas reduzem para 27% no 8º e 9º, enquanto as atividades de preparação profissional surgem com 25% exclusivamente entre os mais velhos.
A preferência por fazer visitas, passeios e trabalhos fora da escola cresce de 39% (6º e 7º anos) para 46% (8º e 9º anos), configurando-se como a maior diferença entre as faixas. Trabalhos em grupo caem de 35% para 30%, enquanto feiras e exposições na escola permanecem estáveis em 24% em ambos os segmentos.
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Jogos, competições e olimpíadas são a principal sugestão em todos os grupos, com leve aumento de 46% (6º e 7º anos) para 47% (8º e 9º anos). Atividades que falem sobre bullying, racismo e prevenção de violências aparecem com 33% entre os mais novos e 29% entre os mais velhos.
A garantia da segurança nos espaços da escola e entorno é um item que cai de 32% para 29%. Entre os estudantes de 8º e 9º anos surgem duas novas demandas relevantes, como melhorar os espaços da escola para convivência (34%) e ter uma pessoa conselheira para procurar quando precisarem (29%).
A pesquisa com dados do estado de São Paulo faz parte do Relatório Nacional da Semana da Escuta das Adolescências, que traz as percepções dos estudantes sobre suas identidades, diversidades e obstáculos à participação, estimulando gestores, professores e comunidades a promoverem escolas mais inclusivas e transformadoras.
No contexto nacional, a iniciativa ouviu mais de 2,3 milhões de estudantes das redes estaduais e municipais, marcando um passo importante na elaboração de uma política pública voltada especialmente para os anos finais do ensino fundamental. Os dados reforçam a necessidade de escolas que dialoguem com as experiências e expectativas dos alunos, promovendo uma educação mais prática, participativa e conectada à vida cotidiana.
Mais informações e os detalhes completos do relatório podem ser acessados em: https://semanadaescuta.org.br/resultados/estados
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