Necessitamos recolocar o leitor no centro do processo educativo, inclusive, para reverter a leitura rasa
Precisamos reconhecer o papel ativo daquele que constrói conhecimento e assume o protagonismo de sua própria trajetória, o leitor, o qual não é apenas um decodificador de símbolos gráficos; é mediador de ideias, intérprete do mundo e autor na construção de sentidos.
Sem leitor, não há crítica, criatividade nem cocriação. É ele quem faz o texto existir, ao transformar palavras em experiência, reflexão e posicionamento.
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Esse sujeito nunca é neutro, mas singular em sua visão de mundo. Ele chega ao texto com sua história, seus afetos, seus repertórios e suas perguntas. Ao ler, seleciona, confronta, valida, discorda. É nessa interação que o conhecimento se reorganiza. O leitor amplia sua capacidade de dialogar, de duvidar e de argumentar, desenvolvendo autonomia intelectual e pensamento crítico.

Leitura também é protagonismo (Foto: Freepik)
A literatura e a cultura é a lente para visualizar esse leitor ativo. Emília, de Monteiro Lobato, personifica o leitor que questiona, provoca e desafia respostas prontas. O rapper Emicida transforma vivência e consciência em linguagem, revelando quem lê o mundo e se apropria da palavra.
Já Matilda, de Roald Dahl, representa a leitora contemporânea que encontra nos livros instrumentos para compreender a realidade, resistir às injustiças e afirmar sua própria voz. Todos revelam que o leitor é sempre um sujeito em posição de protagonismo e produção de sentido.
Em tempos em que há, de um lado déficit de leitura profunda, e do outro excesso de informação, leitura fragmentada e consumo acelerado de conteúdos, necessitamos recolocar o leitor no centro do processo educativo, inclusive, para reverter a leitura rasa. Portanto, formar leitores é cultivar sujeitos capazes de pensar por si, dialogar e construir sentidos. É um trabalho potente e essencialmente humano.
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