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Autor

Redação revista Educação

Publicado em 09/01/2026

Escola também é espaço de promoção de direitos culturais da população

Instituições de ensino podem aumentar o acesso à arte e cultura no país, aponta nova edição da pesquisa Hábitos Culturais

As escolas podem auxiliar a suprir demandas por atividades culturais na cidade, indica a 6ª edição da pesquisa Hábitos Culturais, realizada pelo Observatório Fundação Itaú com pesquisa de campo do Datafolha. Dos entrevistados, 72% afirmam que participariam de mais atividades artísticas se fossem realizadas com maior frequência nas escolas do próprio bairro. Considerando a capilaridade deste equipamento público, um dos mais comuns e bem distribuídos no país, a potencialização desse uso seria de grande impacto na promoção de direitos culturais.

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Além disso, quando perguntados sobre as prioridades para presidente e governadores na área do direito cultural, pensando nas eleições deste ano, 25% da população indicou a adoção de aulas de arte e cultura para estudantes de escola pública. No topo da lista, está a criação ou ampliação de programas de acesso gratuito a atividades culturais, com 39%.

direitos culturais

O campo da pesquisa foi realizado entre os dias 11 e 26 de agosto de 2025, com um universo representativo da população brasileira entre 16 e 65 anos. A amostra foi de 2.432 entrevistas, com margem de erro máxima de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. 

Sobre os locais em que se realizam as atividades culturais, a escola ocupa o quinto lugar, com 40% dos respondentes apontando esse espaço. Esse uso é mais comum conforme aumentam a escolaridade e a classe econômica, chegando a 53% entre aqueles com ensino superior e 27% entre os que estudaram até o ensino fundamental; e 49% na classe A/B, ante 32% na D/E. 

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Os espaços mais citados foram praças ou ruas (65%), igrejas ou espaços religiosos (60%), parques (52%) e shoppings (41%). 

As atividades culturais mais realizadas nas escolas, citadas pelos 40% que as praticam, são comemorações típicas (29%), apresentação/aulas de dança (11%), apresentação/aulas de teatro (11%) e apresentação de música (6%). As atividades são realizadas principalmente durante a semana, no horário escolar (49%), seguido do fim de semana (35%) e na semana fora do horário escolar (24%). 

direitos culturais

Foto: Shutterstock

Formação

A pesquisa também identifica a importância do espaço escolar na promoção do contato com atividades culturais. Dos entrevistados, 40% participaram de alguma formação artística durante o período escolar; desses, 69% realizaram em escola pública, 15% em escola particular e 13% em escola de artes pública.

Dentre os que realizaram formação na escola pública, 78% são da classe D/E, 71% são negros, e há maior predominância em cidades de pequeno porte e do interior. De forma geral, a formação artística na época da escola é menos comum entre os mais velhos, nos níveis mais baixos de escolaridade e classe social, assim como nos municípios do interior e de pequeno porte.

O período escolar mais comum para a formação artística é o fundamental 1 (41%), seguido pelo fundamental 2 (40%) e ensino médio (31%). As práticas mais comuns são música (26%), artesanato, pintura, desenho, corte e costura (21%), dança (18%), teatro (14%) e cinema, filme, vídeo (7%).

A importância dos primeiros anos

Três quartos da população costumavam realizar atividades culturais na infância, sendo 30% com mais assiduidade. A ausência de atividades culturais na infância, apontada por 24% da amostra geral, é maior entre negros (26%, ante 20% entre os brancos), na classe D/E (36%), população com 45 a 65 anos (37%) e entre aqueles com ensino fundamental (41%).

Segundo a pesquisa, o acesso às atividades culturais durante a fase adulta é maior entre aqueles que mencionaram ter realizado atividades culturais durante a infância, comparado com os que disseram que não tinham esse costume. Em todas as atividades mapeadas pela pesquisa, o percentual da população que disseram ter ido a atividades culturais nos últimos 12 meses é maior do que aqueles que disseram que não realizavam atividades culturais na infância.

A maior influência para prática de hábitos culturais são os pais (34%), seguidos de amigos (31%), professores, escola, universidade (30%), igreja, grupo religioso (17%) e parentes (16%). A influência dos pais é mais percebida entre mulheres (36%), enquanto os homens percebem mais a influência dos amigos (34%).

Filhos

As atividades mais realizadas com os filhos dos entrevistados (41% têm filhos com até 18 anos), são assistir filmes (34%), cinema (33%), assistir série (28%), circo (24%) e leitura (20%). Todas as atividades são mais frequentes conforme aumenta a classe social e a escolaridade. 

A frequência mais comum para a realização de atividades com filhos de até 18 anos é de pelo menos uma vez por mês, com 67%. 34% realizam tais atividades uma vez por semana, o que representa uma queda de 8 p.p. em relação a 2024. Essa frequência é maior entre a classe A/B (43%) e entre aqueles com ensino superior (50%). 

Ainda nesta amostra com filhos de até 18 anos, quase a totalidade (96%) considera importante a realização de atividades culturais pelos filhos, sendo que 88% consideram muito importante. 

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Os motivos para a importância da realização das atividades culturais são a ampliação de conhecimento (63%), socialização (21%), educação, cultura (11%), desenvolver a mente, psicológico (3%) e saúde (3%). Há também a percepção de que as atividades culturais influenciam positivamente na vida dos filhos, principalmente no relacionamento em casa (95%), vontade de frequentar a escola (94%), desempenho escolar (94%) e relacionamento com outras pessoas (92%).

Segundo a população geral, as atividades culturais estimulam principalmente a criatividade (48%, o que representa aumento de 10 p.p. em relação ao ano passado), autoconhecimento (37%), empatia (36%), comunicação, assertividade (28%), pensamento crítico, engajamento (28%) e cidadania (23%).

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