Dez recomendações da UNESCO sobre o ensino a distância

Rede global lança documento com propostas de ações que ajudem a construir sistemas educacionais mais resilientes para o futuro

A pandemia da covid-19 trouxe um desafio global: com a suspensão das aulas presenciais em escolas por todo o mundo, para ajudar a conter novas contaminações pelo vírus, o ensino a distância tornou-se solução única, capaz de minimizar impactos que afetam mais de 1,5 bilhão de estudantes.

Diante de algo tão alarmante e sem precedentes, a UNESCO iniciou uma série de ações integradas para fornecer apoio imediato aos países e facilitar a continuidade da aprendizagem, lançando a Coalizão Global de Educação.

Leia: Coalização global propõe ações gratuitas para apoiar alunos na aprendizagem a distância

ensino a distância

Foto: Shutterstock

Como uma Rede de Escolas Associadas, assumimos o compromisso de integrar tal iniciativa, fazendo chegar (às mais de 990 escolas associadas e candidatas em todo o Brasil) suas principais diretrizes – que revelam uma parceria ampla, no sentido de oferecer uma educação a distância adequada para todos os estudantes. No âmbito da Rede PEA-UNESCO, realizamos um levantamento de boas práticas entre nossas escolas, compartilhadas em nosso site www.peaunesco.org.br.

Temos também divulgado todas as orientações da UNESCO, que são referência hoje em todo o planeta. Recentemente, por exemplo, foram publicadas “10 recomendações sobre ensino a distância”, considerando particularidades e incentivando ações coletivas que minimizem as desigualdades de aprendizagem, em especial nos países mais vulneráveis, e ajudem a construir sistemas educacionais mais resilientes para o futuro.

O documento prevê desde pontos técnicos, como a escolha de tecnologias mais adequadas de acordo com os serviços de energia elétrica e internet, passando pela garantia da segurança dos dados e da comunicação on-line, até a adoção de medidas de cuidados sociais, que assegurem interações humanas regulares e resolvam desafios psicossociais, comuns aos estudantes que estão isolados.

Também merece atenção da UNESCO a implementação de medidas que garantam o acesso de estudantes de baixa renda ou com deficiências aos programas de educação a distância – inclusive, em casos pontuais, com a instalação de computadores dos laboratórios das escolas na casa dos alunos.

A mobilização é global. Portanto, pede o esforço de todos nós, coordenadores, professores, pais, alunos, além de toda a comunidade científica internacional (que deve liderar respostas a essa pandemia). Não é cedo dizer que o espírito colaborativo, inovador, coletivo e sustentável das escolas associadas no Brasil e no mundo marcará um capítulo de mudanças profundas no processo de aprendizagem do século. Em tempos difíceis, é hora de mostrarmos a força de uma rede global, disposta a se reinventar e seguir baseada em valores que nos tornam semelhantes.

Myriam Tricate é Coordenadora Nacional do Programa das Escolas Associadas da UNESCO no Brasil.

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