Inovação: a importância das competências socioemocionais na BNCC

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Mãos suando, tensão, preocupação e insegurança. Esses sintomas atingem 80% dos estudantes brasileiros, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Um estudo da organização entrevistou estudantes brasileiros de 15 anos e chegou à conclusão que os estudantes brasileiros figuram entre os mais ansiosos do mundo. E o que isso interfere sobre as práticas pedagógicas e o grau de inovação de uma escola?
Bastante coisa: traz à tona a importância das chamadas competências socioemocionais, que têm sido apontadas como imprescindíveis à formação integral dos alunos. Essas competências cobrem, principalmente, cinco campos: autoconhecimento, autocontrole, automotivação, empatia e habilidades de relacionamento.
Esses campos, por sua vez, estão relacionados a 4 c’s: comunicação, criatividade, curiosidade e criticidade – competências que, juntas, produzem inovação e preparam o estudante para os desafios do século 21.
E o que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) diz sobre essas competências socioemocionais?
Formulada em dez competências gerais como estrutura para guiar o ensino básico no Brasil, a BNCC também deu destaque à temática de inteligência emocional.
O documento reforça que, assim como o desenvolvimento cognitivo, as competências socioemocionais deverão ser aprendizagens essenciais nas salas de aulas.
De acordo com a BNCC, é essencial que os estudantes sejam capazes de:

  • Respeitar e expressar sentimentos e emoções, atuando com progressiva autonomia emocional;
  • Atuar em grupo e demonstrar interesse em construir novas relações, respeitando a diversidade e solidarizando-se com os outros;
  • Conhecer e respeitar regras de convívio social, manifestando respeito pelo outro.

Se as crianças aprendem habilidades socioemocionais, elas vão ter consciência de quem são, quais são seus pontos fortes, como se desenvolver e trabalhar essas áreas.
O intuito desta inclusão é engajar os alunos nas salas de aula e com o seu próprio aprendizado, sabendo que cada um deles tem seus potenciais a serem explorados.
As principais competências que permeiam o aprendizado socioemocional são autoconsciência, autogerenciamento, consciência social, habilidades de relacionamento e tomada de decisão responsável.
É em torno desses pontos que se constrói um aprendizado capaz de orientar o estudante para toda a vida.
O que significa cada um deles?

  • Autoconsciência: Identificar emoções, ter percepção afiada, reconhecer pontos fortes, desenvolver autoconfiança e autoeficácia;
  • Consciência social: Saber olhar as coisas em perspectiva, desenvolver empatia, apreciar diversidade e respeitar os outros;
  • Autogerenciamento: Aprender a controlar impulsos, saber lidar com estresse, ter disciplina, automotivação, buscar objetivos, construir habilidades organizacionais;
  • Habilidades de relacionamento: Comunicação, engajamento social, construir relações e saber trabalhar em grupo;
  • Tomada de decisão responsável: Identificar problemas, analisar e avaliar situações, solucionar problemas, refletir, ter responsabilidade ética.

Com a aplicação destas habilidades nas escolas, as competências socioemocionais geram impactos positivos em várias esferas da vida de um aluno, de acordo com um relatório do Global Education Leader’s Program Brasil:

  • Na aprendizagem: geram ambiente mais favorável à aprendizagem e melhores resultados dos alunos nas disciplinas curriculares tradicionais;
  • No desenvolvimento integral: preparam os estudantes para estar no mundo, compreender os diferentes, ser críticos e atuantes e tomar decisões pautadas na ética. Ajudam-nos a construir seu projeto de vida e a se capacitar para o mundo do trabalho;
  • Na promoção de equidade: dialogam com as necessidades da sociedade civil, mobilizam famílias e contemplam seus anseios, suprem carências de oportunidades e geram impacto nos indicadores sociais;
  • Na mudança cultural: transformam o currículo e a escola, estimulam a atitude cidadã, contribuem para o desenvolvimento de uma cultura de paz.

É importante ressaltar que a ideia da BNCC não é transformar essas competências, necessariamente, em componente curricular, mas articular a sua aprendizagem à de outras habilidades relacionadas às áreas do conhecimento.
Muitas dizem respeito ao desenvolvimento socioemocional que, para acontecer de fato, deve estar incorporado ao cotidiano escolar, permeando todas as suas disciplinas e ações. O desafio, portanto, é complexo, pois impacta não apenas os currículos, mas processos de ensino e aprendizagem, gestão, formação de professores e avaliação. Mas os resultados, certamente, justificam tamanho desafio – e trazem a inovação que as escolas tanto procuram.
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*Ericka Kellner é jornalista na Estante Mágica, plataforma educacional gratuita que, em parceria com escolas, transforma alunos em autores do próprio livro.

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