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Colunista

Fernando José de Almeida

Professor de pós-graduação em educação: currículo na PUC-SP e secretário municipal de Educação da cidade de São Paulo (2001-2002)

Publicado em 14/08/2023

Quem educa a inteligência artificial?

Escola precisa ter uma gestão pedagógica capaz de ensinar à inteligência artificial como apoiar a avaliação da aprendizagem

Só se fala nisso. “Agora sim, não precisamos de mais nada para melhorar a educação.” A inteligência artificial (IA) resolverá todos os problemas e dúvidas para a tarefa de educar. De outro lado, os que temem as consequências do uso da IA na tarefa educacional.


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De fato, a IA pode ser um risco para as escolas que fazem a tal educação bancária que só deposita informações na cabeça dos estudantes e também fazem uma avaliação bancária, desvalorizando o que os estudantes produziram, questionaram, inventaram, duvidaram. Primeiro, porque tais escolas trabalham para controlar a fraude dos alunos que tentaram enganar o avaliador. Segundo, porque trabalham com a regurgitação de alguns conhecimentos, objetivo dessa avaliação. 

Mas as escolas que trabalham com um ensino vivo e significativo que estimula os aprendizes a irem além do que foi ensinado, relacionando aprendizados, duvidando deles, ousando inventar, nada têm a temer. As boas escolas, os bons currículos, os professores bem preparados usam a avaliação como uma ocasião de aprendizagem. Criativa. Avaliação para a aprendizagem. E não apenas da aprendizagem sem valor e sem significado para os estudantes.

Voltando ao tema: como saber o que o outro sabe? Algumas respostas têm seu foco claro, outras, errantes (no bom sentido do termo) andam por terrenos baldios e imprecisos, aqueles resultantes das experiências de distintas motivações da busca (algumas só para classificar ou punir — outras para acompanhar e valorizar). A maioria das experiências relatadas como conhecimento, aprendido na vida ou na escola, é de caráter brumoso ou hesitante, ambíguo ou impreciso. São relatos de conhecimento: um rico processo.  

O exercício de organização interna para responder sobre o que sei já é um conhecimento. 

O fato mais importante da avaliação é que ela nos faz aprender. 

O que se pretende ao querer ‘saber o que alguém sabe’ é estimular que o interrogado vasculhe os sótãos da memória, a partir do vivido, organizado, recolhido, sistematizado ou depurado. Isso é um exercício fundamental de construção da sabedoria. O interesse da escola é saber como se processa o relato da experiência cognitiva.

Para isso a escola precisa ter um currículo rico, bons professores e uma gestão pedagógica capaz de ensinar à inteligência artificial como apoiar a avaliação da aprendizagem a partir de uma competente e generosa Inteligência Humana, única saída para construir uma escola ética e justa. 

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