Tecnologia por tecnologia, não. Tem que existir compromisso com o gestor, educador e aluno

Líderes educacionais se reuniram em Londres em busca de boas práticas. Nessa imersão, escolas apontam tendências observadas no segmento da tecnologia educacional

Conexão com o setor internacional da educação para estimular ideias e gerar impacto fez parte do roteiro da comitiva brasileira presente em um dos maiores eventos sobre educação, tecnologia e inovação do mundo, a Bett Londres, que aconteceu no final de março deste ano. Mais de 60 pessoas, incluindo educadores, gestores, secretários de educação e líderes educacionais compuseram a comitiva que contou com o apoio do governo britânico e patrocínio da Lenovo. 

Antes dos três dias do evento, os integrantes brasileiros participaram de visitas técnicas às instituições britânicas de educação. E é a experiência de representantes de três escolas – sendo uma um grupo voltado ao ensino superior –, um revendedor e as fundadoras da SOS Educação que abordaremos a seguir. 

As aprendizagens que surgiram ou se intensificaram durante a pandemia bem como o modelo híbrido foram pontos quase unânimes entre os participantes. Contudo, Roberta Bento e Taís Bento, mãe e filha especialistas na relação família-escola e fundadoras da SOS Educação, afirmam que durante a viagem notaram “não existir educação pós-pandemia. O mundo olha para a educação como um processo contínuo, repleto de inúmeros desafios que precisamos ser ágeis o suficiente para superar”.

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“O discurso em relação às necessidades e o objetivo da educação é, hoje, muito parecido no mundo todo”, dizem Taís e Roberta Bento
(foto: arquivo pessoal)

Tendências

A quantidade de soluções de telas interativas chamou a atenção de Caroline Serqueira e Flavio Mariz, gerentes de tecnologias do Grupo Educação Básica Marista. O coordenador de TI no Colégio Pentágono, de SP, Marcelo Martins, observou o mesmo. “Vimos projetores interativos que transformam o chão ou a parede em locais vivos para auxiliar os alunos em diversas situações e muita aplicação de robótica e espaços makers.”

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Projetores interativos para estimular os alunos chamaram a atenção de Marcelo Martins
(foto: arquivo pessoal)

“As tendências mais claras estão no uso intenso de IA [inteligência artificial] em todo o processo de aprendizagem, na aproximação da universidade e escolas do mundo de games – principalmente com esporte –, coding para crianças e jovens, segurança da informação, saúde mental/cuidados com o bem-estar e privacidade digital”, aponta Henrique Puccini, gerente de inovação e parcerias na Ânima Educação, organização educacional que integra 18 instituições de ensino superior no Brasil.

Qualidade sobrepondo quantidade foi a primeira coisa que Roberta e Taís, da SOS Educação, com quase 300 mil seguidores apenas no Instagram, notaram tanto nos expositores quanto nas propostas de empresas de tecnologia – segundo elas, a Lenovo é uma das que estão à frente desse processo. “Vimos, ao longo das últimas décadas, muitas empresas investirem em criar equipamentos baratos para que fossem comprados em grandes quantidades pela educação. A preo­cupação com o quanto poderiam de fato impactar de forma positiva o processo ensino e aprendizagem não existia, era discussão que não interessava. Hoje isso mudou. A busca é por qualidade e por impactos que sejam reais e mensuráveis.” Soluções para a inclusão de alunos com necessidades especiais também foram colocadas como tendência segundo SOS Educação, além de sistemas de gestão para apoiar no dia a dia escolar.

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Leia: Aproveitamento da tecnologia digital requer transformação cultural e didáticas inovadoras

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Compromisso

Segundo o coordenador de TI no Colégio Pentágono, a Lenovo se transformou nos últimos tempos. “Deixou de ser um player que entrega hardware para se tornar uma empresa completa e focada na área de educação. Hoje entendo como uma parceira que atende às necessidades do Pentágono, desde a entrega de um dispositivo até soluções educacionais e aplicativos de apoio aos professores.”

“A Lenovo Brasil é parceira da escola no sentido de entender quais são os reais desafios enfrentados e o tamanho da complexidade que o dia a dia escolar representa. Quando uma empresa entende isso, passa a caminhar de mãos dadas com a gestão em busca de soluções”, defendem mãe e filha da SOS Educação.

Para instigar

Nas visitas técnicas às instituições de educação, Felipe Emerson, diretor da revendedora Seal Sistemas, presente no Brasil, América do Sul e Central, diz que os investimentos em tecnologia estão acelerados e com modelos educacionais direcionados ao ensino híbrido. 

No dia a dia profissional, a Seal tem contato direto com as escolas. Indagado sobre o que elas estão buscando na área tecnológica, conta: “modelos financeiros sustentáveis, reset do modelo antigo, soluções cada dia mais baseadas em software e dispositivos um por aluno”.

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Felipe Emerson: modelos educacionais não presenciais como tendência
(foto: arquivo pessoal)

Henrique, da Ânima, revela que nessas visitas teve a oportunidade de conferir como a produção científica da universidade foi relevante na busca pela vacina da covid-19. “A conexão entre academia e setores privados para a conquista desse objetivo foi um destaque.” Ainda sobre o que chamou atenção nesses ambientes, complementa: “o uso de recursos tecnológicos e de pesquisa foi um ponto de atenção, conferindo o nível de interesse e adoção de equipamentos de VR [realidade virtual] e realidade mista”.

A imersão nas possibilidades da tecnologia com a educação não acabou na Bett Londres. Encontros de líderes com quem participou da experiência internacional acontecerão no Brasil para discussão do que foi aprendido e o que é relevante levar para as escolas e grupos educacionais.

O propósito da Lenovo com a área de educação vai além da venda de equipamento. “A nossa ideia é ajudar a promover transformação digital nas escolas com venda de soluções customizadas. Educação é uma área social, então além de venda de equipamento e solução a gente tem o intuito de promover estudos, interação e networking para que possamos trocar boas práticas e aprender uns com os outros”, afirma Carolina Gomes, gerente de desenvolvimento de negócios para educação da empresa.

Líderes educacionais
Lenovo quer juntar parceiros, distribuidores e escolas para trazerem soluções ao setor educacional, conta Carolina Gomes
(foto: divulgação)

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