Como a tecnologia pode ajudar a melhorar a educação

Ferramentas atuais oferecem experiências de aprendizagem que respeitam diferentes necessidades e ritmos de aprendizagem

Por Lúcia Dellagnelo*: Há quase 40 anos, o pesquisador Benjamin Bloom, da Universidade de Chicago, formulou o problema “2 sigma”, que ainda hoje se mantém como o grande desafio para a educação. As pesquisas de Bloom mostram que há um ganho de dois desvios padrão (sigma) na aprendizagem de alunos que são ensinados de forma individualizada por tutores, comparados a alunos ensinados em grupo de 30 por um só professor. Considerando que a tutoria individualizada é inviável em termos de escala e custo, desde então pesquisadores buscam respostas sobre como replicar as condições do ensino individualizado em um ambiente educacional coletivo.

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tecnologia educação

Foto: Shutterstock

Na década passada, graças à tecnologia, finalmente houve avanço significativo na busca de respostas para o problema 2 sigma. A partir de 2012 foram criadas plataformas educacionais que oferecem experiências de aprendizagem em larga escala e são capazes de coletar dados sobre a aprendizagem de milhões de alunos. As cinco maiores plataformas de ensino (Coursera, EdX, FutureLearn, Swayam e XuetangX, de acordo com publicações segmentadas) hoje reúnem dados de mais 110 milhões de alunos. Esse big data, analisado por diferentes pesquisadores, evidencia que há algumas condições essenciais que favorecem a aprendizagem.

São elas:

  • Conhecimento do nível de conhecimento prévio do aluno,
  • Engajamento ativo do aluno no processo de aprendizagem,
  • Oferta de conteúdos em formatos e linguagem diversificados,
  • Uso de avaliações rápidas e frequentes para checar o entendimento do aluno e proporcionar feedback,
  • Oferta de esclarecimentos adicionais e exemplos ilustrativos quando necessário,
  • Aprendizagem e feedback entre pares.

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Contexto atual

Apesar dessas condições já serem conhecidas há muito tempo por educadores, a novidade é a capacidade de ofertá-las a milhões de estudantes simultaneamente. Plataformas como EdX e Coursera, por exemplo, desenvolveram funcionalidades que permitem saber qual o nível de conhecimento do estudante em um determinado tema, oferecer conteúdo apropriado para aquele nível e fornecer feedback imediato, tanto automatizado como por pares em qualquer lugar no mundo que estudam o mesmo tema. Além disso, possuem dados robustos sobre qual a melhor duração de um vídeo educativo (seis minutos) e quais os principais erros e concepções equivocadas demonstrados pelos estudantes em quase todos temas abordados pelos cursos oferecidos.

Isso permite que os professores da plataforma aprimorem sua forma de ensinar e criem novas versões de seus cursos com conteúdos e materiais em diferentes formatos, e enderecem diretamente os erros e equívocos mais prevalentes entre os estudantes.

Relação professor e aluno

Esses avanços significam que o papel do professor se tornou secundário? De jeito nenhum! Bloom já alertava que a condição mais importante para a aprendizagem é a relação professor aluno, que permite o estabelecimento de uma relação cooperativa e afetiva entre quem ensina e quem aprende. É nesta relação que é construída a autoimagem do aprendiz, sua confiança e paixão por aprender.

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“A contribuição da tecnologia é possibilitar ao professor conhecer melhor cada aluno e ser capaz de oferecer, mesmo trabalhando com grupos grandes, experiências de aprendizagem que atendam diferentes necessidades e ritmos de aprendizagem.”

A tecnologia gera informações que podem ajudar professores a exercerem melhor sua profissão e sua missão: promover a aprendizagem de TODOS os estudantes.

Lúcia Dellagnelo é doutora e mestre em Educação pela Universidade Harvard, e foi condecorada pelo MEC com a medalha da Ordem Nacional do Mérito Educativo. Atualmente, é diretora-presidente do Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB).

Assista:

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