Na sala de aula

— Pessoal, tudo bem? Vou entregar as provas e fazer a correção das questões. Os primeiros que receberem as provas analisem, por favor, as respostas dadas.
— Você foi bem nessa prova? – perguntou um aluno preocupado ao colega ao lado.
— Eu fui muito bem, obtive oito e meio. Não errei nenhuma questão. Acertei seis, e o professor me deu meio certo nas outras quatro. E você?
— O professor me deu quatro e meio. Eu acertei duas questões, ele deu meio certo em outras quatro também – respondeu o agora irritado colega de classe e de prova.
— Quais foram as quatro questões que o professor deu meio certo para você?
— Ele deu meio certo nas questões dois, cinco, sete e oito. E para você?
— Ele deu meio certo nas questões um, cinco, sete e oito.
— Você percebeu a coincidência? Ele deu meio certo nas questões sete e oito para mim e para você.
— Nossas respostas estão parecidas e completas, por que ele só deu meio certo para elas? Professor, por que você deu meio certo para as nossas questões sete e oito?
— É, professor. Se nós apontamos certo a questão, por que você deu meio certo?
— As respostas estão parcialmente certas. Mas interessante o raciocínio de vocês. Segundo vocês, nas questões em que obtiveram nota completa, o acerto foi atribuído a vocês mesmos. Nas questões em que obtiveram notas parciais, atribuíram a mim o suposto desconto. Creio que a relação estabelecida por vocês apresenta problema de paralelismo e de imparcialidade. Como nas questões avaliadas como meio certas.

alunos questionando nota para professor

Foto: Shutterstock


João Jonas Veiga Sobral é professor de Língua Portuguesa e orientador educacional.
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