Governo argentino quer universalizar modelo de escola rural em todo o país

Governo argentino quer universalizar modelo de escola rural em todo o país

Crianças das escolas rurais de povoados calchaquíes, na Província de Tucumán, no noroeste da Argentina: resultados surpreendentes e modelo “exportado” para regiões urbanas (Foto: Gonzalo Villagra)


A instituição de uma avaliação nacional, nos moldes da Prova Brasil, tem trazido algumas surpresas para o Ministério da Educação argentino. Após aferir os resultados da Prueba Aprender, aplicada em todas as escolas argentinas de educação primária e secundária com mais de 10 alunos, constatou-se que os resultados das escolas rurais do país foram melhores do que de suas congêneres urbanas. E, como relata o jornalista Ricardo Braginski em matéria para o site do jornal Clarín (www.clarin.com), agora o governo quer universalizar o “modelo rural” em todo o país.
Como características mais marcantes do que as autoridades argentinas identificaram como modelo rural estão o ensino personalizado, o bom clima escolar, especialmente em sala de aula, o compromisso das famílias com a educação dos filhos e o trabalho por projetos interdisciplinares.
Participaram da avaliação 6.308 escolas rurais, das quais 3.911 (62%) tiveram resultados superiores à média nacional. Em matemática, mais estudantes das escolas rurais superaram os objetivos preestabelecidos do que os das escolas urbanas, 38% contra 24%.
Uma característica dessas escolas é bem conhecida das escolas rurais brasileiras: a existência das salas de aula multisseriadas, em função de as regiões rurais muitas vezes terem pouca densidade populacional e ser preciso reunir alunos de idades diferentes para que trabalhem com os mesmos professores. Com isso, no entanto, o trabalho é mais individualizado e, ao que parece, tem dado melhores resultados.
As características identificadas positivamente pela avaliação coincidem com aspectos a serem implementados pelo Ministério da Educação argentino na reforma do ensino médio que deverá entrar em vigor a partir do próximo ano no país. O famoso “Efeito Orloff” continua ativo.

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