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João Jonas Veiga Sobral

É professor de Língua Portuguesa e orientador educacional

Publicado em 06/06/2020

Orientador e professor, em tempos de aulas remotas

Adaptação, dedicação redobrada e questionamentos dos alunos é destaque desta coluna de João Jonas

— Olá, professor, tudo bem?

— Sim, na medida do possível sim.

— Mesmo? O que houve?

 Nada de especial. Além do trabalho dobrado na preparação das aulas remotas e no ajuste da aprendizagem dos alunos, gravação de videoaulas, preparação de atividades, videoconferências ao vivo…

— Verdade. Não está mesmo fácil. Eu também não paro de responder aos e-mails dos pais e dos alunos, todos muito ansiosos e cada um com uma demanda diferente.


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— Pois é, creio que em situações como essa, todos devemos entender que estamos em caráter emergencial dando conta de um processo que foi programado para caminhar de outra forma. Mas estamos todos replanejando as atividades a fim de ajustá-las à situação que se apresenta.

— Sim. Hoje, inclusive, tive contato com alunos dos terceiros anos que estão muito preocupados com o vestibular e disseram que ainda não fizeram nenhuma redação semelhante ao que se cobra nesse tipo de prova nem trabalharam atualidade. Estão angustiados. Eles foram unânimes em apontar esse problema.

— O que disse a eles?

— Disse que conversaria com você para ajustarmos o processo.

— Olha, entendo a aflição deles e a sua posição, mas veja que interessante: se estivéssemos em aulas presenciais não estaríamos neste exato momento antecipando as redações para esse gênero. Estaríamos construindo os trabalhos relativos à argumentação e coesão. Não vejo motivação para adiantar, em uma situação remota, a sequência didática porque eles estão angustiados. Neste momento reajustei as atividades com pesquisa sobre os discursos presentes na mídia sobre os isolamentos verticais e horizontais. Estão colhendo argumentação e observando a relação de coerência e de coesão nessas discussões. Tudo de acordo com que planejei e alinhado à atualidade.

— Verdade. Você poderia esclarecer isso para eles a fim de acalmá-los?

— Pode deixar, farei isso. Falarei também sobre o trabalho ruim que me enviaram, consequência da leitura precária que fizeram do livro que será cobrado no vestibular.

— Sério?

— Muito sério. Fique tranquilo. Vou dizer a eles que essa antecipação sugerida não tem motivação didática ou pedagógica. E direi a eles que a leitura com qualidade do livro seria o melhor antecedente para a ansiedade relativa ao vestibular.

João Jonas Veiga Sobral é professor de Língua Portuguesa e orientador educacional.

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